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Alta do dólar após reação do mercado a intervenção na Petrobras pressiona ainda mais gasolina

Alta do dólar após reação do mercado a intervenção na Petrobras pressiona ainda mais gasolina

Por Folhapress

23/02/2021 às 09:26

Atualizado em 23/02/2021 às 09:26

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Alta do dólar após reação do mercado a intervenção na Petrobras pressiona ainda mais gasolina

Ao intervir no comando da Petrobras e ameaçar com novas interferências nos preços da energia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ajuda a pressionar ainda mais os preços dos combustíveis no país, já que a taxa de câmbio é considerada uma das principais causas da escalada recente.

Nesta segunda (22), o dólar abriu em forte alta, chegando a superar os R$ 5,50, e analistas já começaram a revisar para cima suas expectativas para o fim do ano. Com câmbio mais alto, os preços internos permanecerão pressionados mesmo que as cotações do petróleo recuem.

"Sempre que o preço do barril sobe tem confusão, mas quando o câmbio sobe junto é tempestade perfeita", diz Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

A Petrobras define seus preços usando um conceito conhecido como paridade de importação, que calcula o quanto custaria para vender o combustível importado no país. O cálculo considera as cotações internacionais, a taxa de câmbio e custos logísticos.

O preço do petróleo vem se recuperando no mercado internacional, diante das expectativas de retomada da economia com o avanço da vacinação. Recentemente, ganhou um fator adicional de pressão, com o fechamento de poços e refinarias durante a onda histórica de frio nos Estados Unidos.

Na semana passada, a cotação do petróleo tipo Brent, usada como referência pela Petrobras, oscilou em torno dos US$ 60 por barril, recuperando o patamar verificado no início de 2020, antes da pandemia do novo coronavírus.

Naquele momento, porém, o dólar situava-se em torno dos R$ 4,10, bem abaixo do patamar de R$ 5,40 vigente neste início de 2021. No fim de janeiro de 2020, segundo o CBIE, a Petrobras vendia em suas refinarias gasolina por R$ 1,85 por litro. O litro do diesel custava R$ 2,18 (ou R$ 1,93 e R$ 2,28 em valores corrigidos pela inflação).

Agora, após os últimos reajustes anunciados na semana passada, são R$ 2,48 e R$ 2,58, respectivamente. Isto é, com o petróleo em mesmo patamar, a taxa de câmbio inflaciona ainda mais os preços.

Embora as cotações internacionais tenham caído na sexta, com o retorno às operações de algumas instalações de petróleo paralisadas pela onda de frio no Texas, não há muitos sinais de que recuarão fortemente nos próximos meses.

Segundo dados da EIA (a agência americana de informações em energia), o preço médio do diesel na região do Golfo do México bateu US$ 2,722 (cerca de R$ 15, na cotação atual) por galão, alta de 3,6% em relação à semana anterior.

Para analistas do mercado financeiro, o real também permanecerá desvalorizado, cenário agravado pelas incertezas geradas após as declarações intervencionistas de Bolsonaro. Na sexta, o Itaú disse esperar que a taxa de câmbio feche 2022 em R$ 5 por dólar.

Na manhã desta segunda, ao anunciar revisão de suas expectativas, a Ativa Investimentos disse que "prevê um câmbio e juros mais elevado, uma eventual maior deterioração fiscal e um PIB mais baixo".

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