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Hospitais privados vão ao STF contra fim da isenção de ICMS de Doria

Hospitais privados vão ao STF contra fim da isenção de ICMS de Doria

Por Folha de S. Paulo

02/01/2021 às 10:20

Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Associação que reúne 119 membros diz que reajuste do governo é inconstitucional

Hospitais privados entraram no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar reverter o fim da isenção de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) do governo paulista sobre materiais e medicamentos de saúde, um dos setores impactados pela medida que passou a valer na sexta (1º).

A ação é da Anahp, associação nacional do setor, que representa hospitais como Sírio-Libanês, São Rafael e HCor. A estimativa da entidade é que o fim da isenção fiscal aumente os custos hospitalares em cerca de R$ 1,3 bilhão.

O impacto é calculado pela Anahp com dados de janeiro a outubro. Segundo o levantamento, despesas com medicamentos representam 11% dos custos totais do setor; outros materiais, como órteses e próteses, 12%. A entidade, com 119 membros, também ingressou com mandado de segurança na Justiça paulista no dia 29 de dezembro.

Além de saúde, setores de varejo e agronegócio têm pleiteado a continuidade da isenção e tentaram negociações com o governo. A reforma administrativa de João Doria (PSDB) foi aprovada em outubro e resultou em um corte de 20% em incentivos, elevando a carga tributária.

A área de saúde já indicava que judicializaria a questão diante do impacto calculado em até 18% sobre alguns remédios. Hospitais privados, os incluídos na reforma, argumentam que os custos com medicamentos, equipamentos de proteção e demais insumos aumentaram na pandemia.

As empresas ainda alegam despesas crescentes para o pagamento de empréstimos contratados a fim de contornar o déficit de caixa durante a crise de Covid.

Para o consultor jurídico da associação, Eduardo Muniz, "o tratamento diferenciado injustificado, empreendido na legislação impugnada, privilegia determinados prestadores de serviço em desfavor de outros".

Segundo ele, a medida "não percebe a participação complementar de instituições privadas no SUS, nem o grau de tutela conferido à saúde na Constituição, que prevê acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) também foi à Justiça para derrubar trechos do texto que considerava inconstitucional. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo negou o pedido.

Outro lado

O governo de São Paulo diz estar aberto ao diálogo e que realizou reuniões com diversos setores que possuem os benefícios fiscais. Afirma que alíquota do ICMS é de 18% e que valores inferiores são considerados incentivo fiscal, conforme previsto em lei.

“Dessa forma, é equivocada a alegação de institucionalidade.”

O governo diz que deixou de fora do ajuste produtos da cesta básica, que manteve o benefício à rede pública de saúde e que a medida é para “fazer frente às perdas causadas pela pandemia”.

Em nota, afirmou que "estima obter cerca de R$ 7 bilhões que serão essenciais em 2021 para fazer frente às despesas com pagamento de servidores, manutenção dos serviços públicos de qualidade e ampliação da capacidade de investimento do Estado".

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