Home
/
Noticias
/
Exclusivas
/
Viva a Constituição, mas não esqueçam de buscar preservar também a democracia
Viva a Constituição, mas não esqueçam de buscar preservar também a democracia
Por Redação
07/12/2020 às 11:06
Atualizado em 07/12/2020 às 11:08
Foto: Divulgação/Arquivo

Não há porque duvidar de que felizmente a defesa da Constituição prevaleceu na decisão do Supremo Tribunal Federal de manter seu entendimento contrário à reeleição no Congresso.
O casuísmo era gritante embora, talvez pela primeira vez na história recente do Congresso, os argumentos fossem nobres.
Garantir o direito de reeleição ao presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Câmara não seria apenas uma retribuição por ter, inúmeras vezes, contido Jair Bolsonaro.
Mas, fundamentalmente, um reconhecimento à importância de que esse papel continue sendo exercido em favor da democracia no país e que, lamentavelmente, existam poucos homens públicos determinados a assumí-lo.
Enfrentar os arroubos do presidente não foi tarefa fácil para o presidente da Câmara. Como relatou recentemente Maia, não foram raras as ameaças de morte, sem contar os insultos mais variados.
E, o que é pior, não se restringiram apenas a ele, como foram enderaçados também à sua família.
Além de ter colocado um presidente de ímpetos autoritários e sua patota no devido lugar, o presidente da Câmara assumiu várias vezes um protagonismo que caberia ao governo.
A aprovação da reforma da Previdência, cuja articulação patrocinou, está entre seus feitos mais notáveis.
Exatamente por isso, a lista de serviços prestados à manutenção das regras do jogo democrático por parte de Maia talvez não tivesse se encerrado.
Porque abraçou-se ao deplorável Centrão para não afundar junto com seu governo inepto, negacionista e inconsequente não significa que Bolsonaro tenha moderado seus modos absolutistas.
Agora, à comemoração pela prevalência dos princípios constitucionais frente a perigosas emergências políticas impostas pela ascensão da extrema-direita ao poder central, é necessário que o Congresso, representando os interesses maiores da população, reflita.
E decida, cuidadosamente, sobre quem deverá substituir Maia.
Colocar na linha de sucessão alguém que se curve servilmente - em troca de benesses pessoais ou ao seu grupo político - ao Executivo, como deseja Bolsonaro, será abrir as portas para a demolição da incipiente democracia brasileira, o que só interessa aos tiranos e aos grupos que conseguem se locupletar à sua volta.
