Servidores culpam Ministério da Agricultura por morte de colega com Covid-19
Por Folha de S.Paulo
21/12/2020 às 12:16
Atualizado em 21/12/2020 às 12:16
Foto: Marcos Correa/PR

Um servidor federal, nomeado com mais 21 colegas para compor uma força-tarefa do Ministério da Agricultura em Brasília, morreu de Covid-19. O grupo culpa a pasta, chefiada por Tereza Cristina, pela morte do funcionário.
Os servidores integram quadros de superintendências localizadas em diferentes estados do Brasil.
O funcionário que morreu, Alcides Flores, 64, morava em Porto Velho e, por ter mais de 60 anos, fazia parte do grupo de risco. Ele havia começado a trabalhar na força-tarefa no dia 17 de novembro.
Servidores que conversaram com a Folha, mas não quiseram se identificar, disseram que mais quatro membros do grupo contraíram a doença. A reportagem teve acesso a dois dos exames que confirmaram a infecção de integrantes da força-tarefa pelo novo coronavírus.
O Ministério da Agricultura afirmou, em nota, que a força-tarefa, criada por meio da portaria, teve o objetivo de analisar cerca de 1.300 convênios de emendas impositivas no prazo exigido por lei, que se encerra em 31 de dezembro.
A necessidade de realização do trabalho presencial em Brasília se deveu, segundo o ministério, à complexidade de análise dos documentos e estava atrelada a uma nova capacitação técnica sobre os temas relacionados aos convênios.
Funcionário de carreira desde 1978, Flores exercia a atividade de agente de atividades agropecuárias até outubro de 2019. Passou a exercer cargo comissionado e se tornou chefe da Divisão de Desenvolvimento Rural na Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Rondônia.
Flores foi internado no Hran (Hospital Regional da Asa Norte), em Brasília, no dia 20 de novembro. Ele ficou intubado na maior parte dos dias de internação e teve a morte confirmada na segunda-feira (14).
O corpo do funcionário público foi levado para Porto Velho na quarta (16). A morte gerou repercussão entre colegas de trabalho de outros estados, que, assim como Flores, atuaram na capital até 27 de novembro.
O grupo da força-tarefa culpa o ministério pela morte do colega e diz que não havia necessidade de deslocar funcionários para Brasília. Segundo os servidores, os processos da pasta são digitais, e o trabalho poderia ser feito em home office.
Além disso, eles afirmam que o governo não ofereceu um plano para que todos trabalhassem de forma segura. Os servidores dizem que foram colocados, todos juntos, em uma sala, com quatro pessoas em cada mesa.
