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Petistas planejam alijar oposição em disputa pela presidência da Assembleia Legislativa
Petistas planejam alijar oposição em disputa pela presidência da Assembleia Legislativa
Por Redação
30/12/2020 às 12:07
Atualizado em 30/12/2020 às 12:10
Foto: Divulgação/Arquivo

Os articuladores do governador Rui Costa (PT) na Assembleia passaram a encarar a disputa pela sucessão do presidente Nelson Leal (PP) entre seu partido e o PSD como uma oportunidade especial para tentar alijar a oposição de postos conquistados ao longo das últimas composições pelo comando do Poder.
Uma das posições mais visadas agora é a Fundação Paulo Jackson, que gerencia a TV Assembleia e é responsável por, pelo menos, cerca de 100 cargos, alguns de alta remuneração. Como na última década praticamente sempre votou com o ganhador, a oposição foi, aos poucos, conquistando espaços na estrutura da Casa.
As posições complementavam os cargos da mesa diretora, que são disputados no voto mas obedecendo a acordos que, muitas vezes, levam em conta a proporcionalidade das bancadas governista e oposicionista. Aproveitando a disputa de agora, os governistas viram, no entanto, uma chance de não ter mais que dividir espaços com a oposição.
O aumento da participação da oposição na máquina da Assembleia começou ainda na primeira gestão do então deputado Marcelo Nilo (PSB), que governou a Casa por 10 anos, renovando seu mandato de presidente continuamente, mas se ampliou sob o comando do seu sucessor, o hoje senador Angelo Coronel (PSD), que ganhou com os oposicionistas.
O sentimento anti-oposicionista tem origem nos deputados do PT, que nutrem uma grande frustração por nunca terem conseguido comandar a Assembleia nestes 14 anos em que o partido governa o Estado. A maioria dos parlamentares petistas se engajou de corpo e alma na campanha do candidato do PSD, Adolfo Menezes, à presidência.
E tem pregado junto aos demais membros da bancada governista que esta é uma chance de ouro para ampliar seu próprio espaço no Poder, embora não haja sinais de que Adolfo possa encampar a ideia na hipótese de vir a assumir o comando da Assembleia, da mesma forma que não se percebe interesse no plano da parte de seu concorrente, Niltinho (PP), também um governista.
A cobiça petista cresceu depois do anúncio do secretariado do prefeito eleito de Salvador, Bruno Reis (DEM). Ele vai nomear para a sua secretaria particular Igor Domingues, atual diretor da Fundação Paulo Jackson, o que reavivou o interesse do PT no posto. Assessores do partido continuaram a escarafunchar o organograma da instituição e descobriram outros nomes indicados pela oposição, alguns com sobrenomes conhecidos em cargos importantes.
Um exemplo é Bruno Moraes, diretor-financeiro da Paulo Jackson e irmão de Kaio Moraes, atual chefe de gabinete da Prefeitura. "Essa turma toda vai cair fora. Não há espaço para a oposição aqui", diz um petista, observando que o que os colegas não podem desprezar é que, a partir de agora, o que estará em jogo é a sucessão de 2022.
"Vamos entrar numa guerra com ACM Neto pela manutenção do projeto petista no governo do Estado", completa uma deputada petista em conversa com este Política Livre, dando a batalha contra a oposição como dada. Para alijar os oposicionistas, eles contariam com o apoio do líder do governo na Assembleia, o deputado estadual Rosemberg Pinto (PT).
Segundo os próprios colegas de partido no Parlamento, Pinto estaria de olho no comando da Paulo Jackson para a mulher, que é jornalista, foi secretária de Comunicação em São Francisco do Conde e perdeu a eleição para a Câmara de Vereadores da cidade, que fica na região metropolitana de Salvador.
