Marcos Mendes defende regularização fundiária de terreiros de candomblé
Por Redação
29/10/2020 às 18:16
Atualizado em 29/10/2020 às 18:16
Foto: Reprodução

Sustentabilidade: Modos de vida e Direitos da natureza foi o tema da audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores de Salvador, idealizada e organizada pelo presidente da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, vereador e candidato à reeleição Marcos Mendes (PSOL). Durante a sessão solene, ele destacou a importância da natureza às comunidades tradicionais e defendeu a regularização fundiária dos terreiros de candomblé.
"Essas comunidades representam nossa história, nossa memória e nossa ancestralidade. Natureza é vida! É existência! Os terreiros possuem uma relação ancestral com o meio ambiente. Precisamos fazer a regularização fundiária desses terreiros que simbolizam história, luta e resistência da população negra de Salvador", defendeu o vereador.
Ambientalista, geólogo e mestre em Geologia Ambiental, Mendes esclareceu que os rios urbanos além de terem importância paisagística e de lazer, ajudam a conter ou diminuir as enchentes, mantêm o clima ameno e são fundamentais para o abastecimento humano. "Quando temos elevados de concreto, o sol bate, reflete e forma zonas de calor. Os rios urbanos absorvem os raios solares. Então, em locais onde temos rios, temos climas mais amenos, a diferença às vezes é de 5 a 10 graus em relação aos locais que não têm rios e árvores", explicou o vereador.
A liderança indígena nacional e vice na chapa de Guilherme Boulos à Presidência da República pelo PSOL nas eleições de 2018, Sônia Guajajara, salientou que o Congresso Nacional possui uma bancada ruralista que defende a destruição e a exploração da natureza. Segundo Guajajara, a questão ambiental não está restrita às comunidades tradicionais, envolve toda a sociedade civil e a luta pela preservação do meio ambiente perpassa por decisões políticas. "É extremamente importante fazermos discussões na busca pela garantia do respeito à natureza, ao meio ambiente em que vivemos e que precisamos preservar. A questão ambiental sempre foi secundarizada. Daí a importância de termos parlamentares que têm compromisso com a sustentabilidade e com a natureza", pontuou a liderança indígena.
Para o arquiteto, mestre e doutor em Arquitetura e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Fábio Velame, o modelo ocidental regido pelo capitalismo e pela perspectiva da modernidade retirou o "caráter sagrado" da natureza e implementou um processo de dessacralização dos elementos naturais. "A modernidade a partir da perspectiva antropocêntrica segundo a qual o homem seria o centro do universo partiu do pressuposto de que a natureza deveria ser dominada pelo homem e pela reprodutibilidade técnica. A natureza passou a ser vista como coisa, como algo dessacralizado", explicou o professor universitário.
Fábio Velame argumentou que as comunidades indígenas, quilombolas, de fundo e fecho de pasto, marisqueiras e povos de terreiros de candomblé possuem uma relação ontológica com a natureza. “É nessa natureza onde estão enterrados os pais, avós e os ancestrais dessas comunidades históricas. Elas precisam da natureza não apenas para reprodução material dos seus territórios históricos, mas, também, para uma reprodução simbólica e ancestral", frisou o professor da Universidade Federal da Bahia.
A audiência pública contou com participações de especialistas, professores universitários, ambientalistas, representantes de comunidades tradicionais e sociedade civil. A sessão ocorreu na tarde desta quarta-feira (28) e foi transmitida pelos canais de comunicação da Câmara de Vereadores.
