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PGR denuncia Witzel, primeira-dama e mais 10 por organização criminosa no Rio

PGR denuncia Witzel, primeira-dama e mais 10 por organização criminosa no Rio

Por Folhapress

14/09/2020 às 19:47

Atualizado em 14/09/2020 às 19:47

Foto: Wilton Júnior/Estadão

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC)

A PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou nesta segunda-feira (14) ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) nova denúncia contra o governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). A acusação, desta vez, é por organização criminosa.

De acordo com a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, que assina a peça, o grupo criminoso do qual Witzel é acusado de fazer parte "atuou nos mesmos moldes existentes em relação às demais organizações criminosas que envolveram os últimos dois ex-governadores".

Os ex-governadores fluminenses Sérgio Cabral e Luiz Pezão, ambos do MDB, foram investigados, presos e denunciados pela Operação Lava Jato por desvio de recursos públicos

Além de Witzel, foram denunciados a esposa do governador afastado, Helena Witzel, e o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo.

Outros acusados são Lucas Tristão do Carmo, Gothardo Lopes Netto, Edson da Silva Torres, Edmar José dos Santos, Victor Hugo Amaral Cavalcante Barroso, Nilo Francisco da Silva Filho, Cláudio Marcelo Santos Silva, José Carlos de Melo e Carlos Frederico Loretti da Silveira (Kiko).

A PGR pede ao STJ, a decretação da perda dos cargos públicos, em especial em relação a Wilson Witzel, e que os denunciados sejam condenados ao pagamento de indenização mínima, no valor de R$ 100 milhões, correspondentes a R$ 50 milhões por danos materiais e os outros R$ 50 milhões por danos morais coletivos.

No final de agosto, por ocasião do afastamento de Witzel do cargo por decisão do ministro Benedito Gonçalves, do STJ, a PGR denunciou o governador, a primeira-dama, Helena Witzel, e outras sete pessoas por corrupção (ativa e passiva) e lavagem de dinheiro.

De acordo com a PGR, “o governador utilizou-se do cargo para estruturar uma organização criminosa que movimentou R$ 554.236,50 em propinas pagas por empresários da saúde ao escritório de advocacia de sua esposa.

O casal foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na forma de crime continuado, reiterado por 25 vezes.

De acordo com esta segunda denúncia, “a organização criminosa chefiada por Wilson Witzel” iniciou as atividades em 2017, com a cooptação do então candidato ao governo, que recebeu, ainda quando era juiz federal, quase R$ 1 milhão.

A compreensão do funcionamento da estrutura da organização criminosa, afirmou a procuradoria, foi possível graças às investigações iniciadas com a Operação Favorito, que resultaram na prisão do empresário Mário Peixoto e de seus operadores financeiros, e culminaram com a Operação Tris in Idem.

A variedade de formas de pagamentos e a complexidade de relações interpessoais de pessoas físicas e jurídicas demonstram a estabilidade e permanência da organização, afirmou a subprocuradora Lindôra Araujo na acusação encaminhada ao STJ.

O núcleo político da organização criminoso, no topo da pirâmide, “era composto pelo governador do Estado e o presidente do PSC, Pastor Everaldo”.

A PGR afirma ainda que o governador afastado teve participação ativa em todos os fatos delitivos narrados, loteando os recursos públicos em prol da organização criminosa, recebendo vantagem ilícita e lavando dinheiro a partir do escritório de advocacia da primeira-dama.

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