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Bretas pode ser julgado por marido de advogada alvo de operação que ele ordenou
Bretas pode ser julgado por marido de advogada alvo de operação que ele ordenou
Por Mônica Bergamo/Folha de S.Paulo
12/09/2020 às 09:00
Foto: Ricardo Borges/Folhapress

O julgamento do juiz Marcelo Bretas por participar de ato político com Jair Bolsonaro, marcado pelo TRF-2 (Tribunal Regional da 2ª Região) para a quinta (17), terá outra saia justa: André Fontes, um dos desembargadores do Órgão Especial que analisará o caso, é marido da advogada Ana Basílio, que sofreu operação de busca e apreensão na semana passada por ordem de Bretas.
Há expectativa sobre a possibilidade de o desembargador se declarar suspeito para o julgamento. Detalhe: Fontes votou a favor de Bretas em maio, quando o órgão decidiu que abriria procedimento disciplinar contra o juiz.
O pedido de abertura foi determinado em fevereiro pelo ministro Humberto Martins, que era corregedor e hoje preside o STJ (Superior Tribunal de Justiça). O filho dele, Eduardo Martins, também foi alvo, na semana passada, da operação deflagrada por Bretas.
A investigação contra Bretas está centrada na cláusula 305 do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que proíbe magistrados de “emitir opinião que demonstre atuação em atividade político-partidária ou manifestar-se em apoio ou crítica públicos a candidato, lideranças políticas ou partidos políticos”.
A cláusula pede também que os juízes evitem “manifestações que busquem autopromoção ou superexposição”. A investigação contra Bretas está recheada de fotos dele como celebridade.
Em uma delas, Bretas aparece na feijoada da Vogue, descrita como “tarde divina no [hotel] Fairmont Copacabana”. Em outra, faz exercícios numa academia. Numa terceira imagem, ele surge de mãos dadas com o governador afastado Wilson Witzel num jatinho da FAB —os dois pegavam carona com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para Brasília.
