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Investigação da Lava Jato do Rio envolve pelo menos sete secretários do governo Witzel
Investigação da Lava Jato do Rio envolve pelo menos sete secretários do governo Witzel
Por Estadão
29/08/2020 às 19:19
Atualizado em 29/08/2020 às 19:19
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

A Operação Tris in Idem, deflagrada nesta sexta, 28, revelou uma série de suspeitas do Ministério Público Federal (MPF) sobre a gestão Wilson Witzel (PSC). Além do próprio governador do Rio, que já é alvo de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa por denúncias de irregularidades em contratações emergenciais na pandemia, seu vice, Cláudio Castro (PSC), e pelo menos cinco secretários em exercício ou exonerados são investigados pela Procuradoria.
O inquérito enfraquece o governo, que já vem isolado politicamente, e arrasta membros do alto escalão para o centro da apuração criminal. Além de Edmar Santos, ex-secretário de Saúde que fechou acordo de delação premiada com as autoridades, de seu ‘número dois’ na pasta, Gabriell Neves, preso em maio por denúncias de improbidade, suspeitas sobre o envolvimento de outras secretarias em diferentes frentes de irregularidades constam na representação de 403 páginas assinada pela subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo.
Segundo o documento, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, preso na operação de ontem, atuaria como interlocutor entre o governo e Mário Peixoto para alinhar detalhes do suposto esquema de direcionamento de licitações em favor de organizações sociais controladas pelo empresário. Classificado como ‘pessoa de confiança’ de Witzel e de Peixoto, ele é suspeito de participar da operacionalização do plano para ocultar, através de seu próprio escritório e do escritório da primeira-dama, Helena Witzel, o recebimento de propinas pagas pelo empresário.
Também supostamente ligados a Mário Peixoto, os secretários de Educação, Pedro Fernandes, e de Ciência e Tecnologia, Leonardo Rodrigues, teriam sido indicados pelo executivo. Rodrigues ainda teria recebido propinas de um segundo empresário, José Carlos de Melo, para garantir contratos a empresas ‘agenciadas’ por ele.
Alvos de buscas na operação de ontem, os secretários de Governo, Cleiton Rodrigues, e da Casa Civil, André Moura (PSC), são suspeitos de encabeçarem suposto esquema de loteamento de cargos para apadrinhados de deputados estaduais. Em delação, Edmar Santos afirmou que cerca de 1.800 vagas de porteiros, auxiliares de limpeza, seguranças e funções de nível técnico foram oferecidas a deputados em troca de apoio politico. O MPF também indicou foi apurado que parlamentares podem ter se beneficiado de desvios de dinheiro público relacionados a sobras dos duodécimos do Legislativo.
O secretário de Cidades, Juarez Fialho, que também é tesoureiro do PSC, é citado na representação do Ministério Público Federal como sócio de um suposto operador financeiro do Pastor Everaldo, apontado como coordenador de um dos grupos beneficiados sistematicamente por contratações irregularidades do governo. A Procuradoria também chamou atenção para o participação de Fialho em ‘empresas interligadas’ e como titular de uma offshore na Suíça.
