'Precisamos fortalecer a saúde indígena', afirma líder pataxó de Porto Seguro
Por Redação
08/07/2020 às 21:00
Atualizado em 08/07/2020 às 21:00
Foto: Divulgação

Ainda de luto pela perda de Valmir Nunes Pataxó, que morreu na terça-feira (7) vítima do novo coronavírus, o cacique Fred Pataxó, da Aldeia Mirapé, em Porto Seguro, defendeu unidades de saúde dentro das comunidades para tratar indígenas com a doença, e fez um desabafo ao saber que o presidente Jair Bolsonaro havia vetado 14 pontos do Projeto de Lei 1142/2020.
"Os vetos do presidente prejudicam diretamente o nosso povo. No Extremo Sul, a comunidade se mobilizou com barreiras sanitárias para impedir a entrada de pessoas que não são do nosso convívio; não a Funai, um órgão federal, mas sem autonomia para proteger os nossos direitos. A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) sofre com a falta de apoio, e isso tudo dificulta o combate e a prevenção à Covid-19", afirma Fred.
Dezessete casos em Coroa Vermelha e quatro casos suspeitos de coronavírus em Porto Seguro colocaram a comunidade pataxó em sinal de alerta. "Somos mais vulneráveis a essa doença. O Governo precisa criar bases de apoio dentro da própria aldeia para receber apenas os indígenas. Não podemos ir para hospital. A gente morre mais rápido por distância da família e dos amigos. Precisamos fortalecer a saúde indígena, porque ela está acabando", diz o cacique.
Segundo Fred, único assessor indígena na Assembleia Legislativa da Bahia, no gabinete do deputado Jacó (PT), Valmir Nunes Pataxó, 68 anos, que morreu nesta terça (7), "não precisava ter ido embora tão cedo". "Ele não quis ir pro hospital para tratar a doença, não queria ficar sozinho. Pediu às lideranças que ficasse em casa. Se tivesse um apoio, uma base sanitária dentro da nossa aldeia, será que tinha acontecido isso?", pergunta.
O deputado estadual Jacó (PT) disse que os vetos do presidente Jair Bolsonaro - entre eles estão a obrigação de o Governo fornecer água potável, itens de higiene e leitos hospitalares a indígenas - são motivo de repúdio.
"Esse veto é uma atitude com requintes de crueldade porque nega os direitos humanos. Mostra a face escravocrata e anti-indigenista desse desgoverno que persegue índios e negros. Tínhamos que preservar e cuidar bem dos nossos antepassados e povos originários, mas a ganância da elite não permite. Muito lamentável", criticou Jacó.
