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Em live, João Jorge defende eleição de vereador negro à presidência da Câmara de Salvador
Em live, João Jorge defende eleição de vereador negro à presidência da Câmara de Salvador
Por Redação
09/07/2020 às 17:50
Atualizado em 09/07/2020 às 17:50
Foto: Live Política Livre

O presidente do Bloco cultural Olodum, João Jorge, defendeu ontem a eleição de um vereador negro para a presidência da Câmara Municipal de Salvador, ao participar da live "O novo normal na Roma Negra", promovida pelo Política Livre em conjunto com o economista Elias Sampaio pela página do site no Facebook.
"Devemos eleger vereadores que são comprometidos com esta causa. Nós devemos ter quatro ou cinco vereadores com algum pertencimento. Tem muitos vereadores negros, mas tem muitos vereadores negros que votam contra os nossos interesses", afirmou o presidente do Olodum. A entrevista completa pode ser acessada na página do Política Livre no Facebook (politica livre).
Ele citou como vereadores comprometidos com a causa negra Moisés Rocha e Suíca, do PT, e Edvaldo Brito, do PSD, entre outros. Segundo João Jorge, a estratégia deve partir, primeiro, da eleição de uma grande bancada de vereadores para, então, se lançar um nome para disputar a presidência da Câmara.
"Para que o segundo cargo de importância na cidade, depois do prefeito, seja um presidente da Câmara negro ou negra. Esse é o perfil que deveria estar sendo discutido na bancada", afirmou, advertindo, no entanto, que a questão não é apenas de cor da pele.
Para ilustrar, lembrou do episódio em que, na discussão do Estatuto da Igualdade Racial de Salvador, um vereador negro obstruiu a votação. "Foi preciso o prefeito interferir dizendo que queria que o estatuto fosse aprovado", recordou o presidente de uma das mais importantes entidades culturais da Bahia.
"O vereador que impediu é por causa da questão religiosa. Ele não era de uma religião de matriz africana e ele queria porque queria incluir a sua religião nos casos de proteção à discriminação. Só que a sua religião é uma das que fazem parte da perseguição ao Candomblé desde 1549. Então não estamos falando de cor de pele. Estamos falando de consequência", declarou.
João Jorge disse também que é preciso que mais vereadores e vereadoras negros se elejam para ajudar neste trabalho. E calculou que, dos 43 vereadores, seriam necessários pelos 27 negros e negras comprometidos."Não se elege prefeito apenas por ser preto ou preta, até porque na cabeça dos soteropolitanos não tem essa ideia de voto racial", declarou.
