Autorização de ajuda transfronteiriça da ONU na Síria expira
Por Folha de S. Paulo
11/07/2020 às 11:01
Atualizado em 11/07/2020 às 11:01
Foto: Reprodução/Folha de São Paulo

A autorização da ONU que permitia desde 2014 uma ajuda transfronteiriça à Síria expirou na sexta-feira (10) sem que o Conselho de Segurança, profundamente dividido, conseguisse prorrogar a assistência humanitária vital para milhões de pessoas.
O dispositivo transfronteiriço da ONU permitia levar ajuda humanitária aos sírios sem a necessidade de obter a provação de Damasco.
A ONG Oxfam advertiu que deter a ajuda transfronteiriça representa "um golpe devastador para milhões de famílias sírias que dependem dessa assistência para receber água potável, alimentos, atendimento de saúde e abrigo".
A Rússia, maior aliada da Síria, fracassou na tentativa de conseguir com que o Conselho de Segurança da ONU aprovasse uma redução da ajuda humanitária transfronteiriça para a Síria, ao não obter número suficiente de votos.
Segundo diplomatas, o projeto russo, que contemplava a supressão de um ponto de acesso à Síria, teve quatro votos favoráveis (Rússia, China, Vietnã e África do Sul), sete contrários (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Estônia e República Dominicana) e quatro abstenções (Indonésia, Tunísia, Níger e São Vicente e Granadinas).
Em uma tentativa anterior, na quarta-feira (8), a proposta de Moscou teve o mesmo resultado.
A Rússia argumenta que mais de 85% da ajuda entregue à Síria passa por Bab al-Hawa e que, portanto, o outro acesso, via Bab al-Salam, poderia ser fechado.
Em janeiro, a Rússia já havia reduzido o número de pontos de entrada para esse país de quatro para dois e limitou a autorização para seis meses, em vez do acordo anual que havia até então.
A última proposta russa, obtida pela agência de notícias AFP, pretendia manter apenas o acesso via Bab al-Hawa. Entretanto, Moscou agora ofereceu estender a autorização de ajuda transfronteiriça por um ano, ao invés dos seis meses que desejava.
O Conselho de Segurança já fez cinco votações sobre esta questão sem chegar a um compromisso.
Na sexta-feira, a Alemanha e a Bélgica apresentaram um novo projeto de resolução ao Conselho, que planeja manter o ponto de entrada de Bab al-Hawa por um ano e o ponto de entrada de Bab al-Salam por apenas três meses, informaram diplomatas.
Os dois Estados, membros não permanentes do Conselho e responsáveis pelo aspecto humanitário da crise síria na ONU, podem pedir ao grupo que vote, já que o texto russo fracassou.
Desde o início da guerra civil na Síria, em 2011, a Rússia vetou resoluções sobre o país árabe 16 vezes, e a China, 10 vezes.
Rússia e China argumentam que a autorização da ONU viola a soberania da Síria e que a ajuda poderia ser canalizada de forma progressiva, por meio das autoridades sírias, à medida que estas recuperassem o controle dos territórios.
