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Apex interrompe contrato com órgão americano que ajudou Facebook na investigação de contas falsas

Apex interrompe contrato com órgão americano que ajudou Facebook na investigação de contas falsas

Por Folhapress

10/07/2020 às 21:40

Atualizado em 10/07/2020 às 21:40

Foto: Alan Santos/PR

A Apex é comandada pelo contra-almirante da Marinha Sergio Segóvia

A Apex (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) pediu nesta quinta (9) o encerramento, antes do prazo, do contrato com o Atlantic Council.

O instituto americano tem um programa de investigação de desinformação na internet, o DFR (Digital Forensic Research Lab), que participou da ação do Facebook que cancelou perfis falsos de assessores do presidente Jair Bolsonaro.

A parceria da Apex com o Atlantic Council terminaria em outubro, mas foi solicitado o desligamento precoce. A agência nega que tenha havido pressão do governo, mas o vínculo foi alvo de postagem crítica de Olavo de Carvalho nas redes sociais.

O ideólogo de parte dos bolsonaristas, como o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), à qual a Apex é vinculada, atacou o contrato e insinuou que se tratava de uma ação de militares para minar Bolsonaro. As alas olavistas e militares disputam espaço no governo.

"A ala militar do governo trabalha para financiar (com dinheiro público da Apex) uma organização internacional de esquerda que trabalha para censurar conteúdos de apoio ao presidente." (Kim Paim) Se isso é verdade, esses generais têm de ir para a CADEIA.", escreveu Olavo, em suas redes sociais.

A Apex é comandada pelo contra-almirante da Marinha Sergio Segóvia, que assumiu a agência após olavistas gerarem uma crise no órgão e serem afastados.

Embora vinculada ao governo, a Apex é financiada por dinheiro do setor privado, por meio de contribuições de empresas ao sistema S.

Segovia afirma que decidiu encerrar a parceria antes do prazo porque, dada a indisposição de integrantes do governo com o Atlantic Council, não seria possível prosseguir com a promoção de palestrase eventos com auxiliares de Bolsonaro.

"Mudou a situação do mar. Não vou insistir em algo que não vai gerar frutos", afirmou o contra-almirante à coluna Painel do jornal Folha de S.Paulo.

Segundo a Apex, a parceria com o Atlantic Council foi firmada em 2018, pelo valor de US$ 200 mil e teria duração de dois anos. A atual gestão diz que apenas seguiu o que havia sido programado.

Durante o vínculo, o instituto promoveu palestras e estudos sobre o Brasil, com a presença de autoridades como o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

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