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Para 64%, Bolsonaro sabia onde Queiroz estava escondido, segundo Datafolha

Para 64%, Bolsonaro sabia onde Queiroz estava escondido, segundo Datafolha

Por Folha de S.Paulo

26/06/2020 às 06:43

Atualizado em 26/06/2020 às 06:43

Foto: Reprodução

Fabrício Queiroz

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sabia onde estava escondido Fabrício Queiroz, segundo a opinião de 64% dos brasileiros que tiveram conhecimento da prisão do ex-assessor do clã presidencial, detido em Atibaia na quinta retrasada (18).

É o que mostra pesquisa do Datafolha —a margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou menos.

Três quartos dos entrevistados pelo Datafolha afirmaram ter tido ciência do caso, 29% deles bem detalhadamente, 35% mais ou menos e 11%, mal.

O grau de familiaridade com a história cresce ainda mais entre os mais ricos (96% entre quem ganha de 5 a 10 salários mínimos e 95% dos que têm renda maior que 10 mínimos) e instruídos (91% de quem fez curso superior).

A crença dos entrevistados é aferida depois de o próprio presidente Jair Bolsonaro ter afirmado, em uma live transmitida no dia da prisão, que sabia sobre procedimentos contra um câncer que Queiroz fazia na região.

Assim, só 21% acham que o presidente não sabia sobre o amigo, investigado no esquema das “rachadinhas” da Assembleia do Rio de Janeiro quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual.

O filho do presidente tinha Queiroz, próximo de Bolsonaro desde 1984, como assessor no seu gabinete.

Queiroz contratou parentes de milicianos suspeitos da execução, no começo de 2018, da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista.

Já as “rachadinhas” eram desvios de salários de funcionários do gabinete, prática comum na Assembleia, segundo o Ministério Público.

Entre os que aprovam o governo, 45% acreditam que Bolsonaro não sabia do esconderijo de Queiroz.

Do total de entrevistados, 15% dizem não saber avaliar se o presidente sabia ou não.

Por outro lado, 46% dos 2.016 brasileiros ouvidos pelo Datafolha em 23 e 24 de junho não acreditam que o presidente esteja envolvido no caso das “rachadinhas”.

Para 38%, Bolsonaro estava envolvido e 16% não opinaram. Aqui, a fé dos bolsonaristas na inocência do presidente é maior: 80% deles acham que ele não está envolvido.

Os jovens são os mais céticos. Entre quem tem de 16 a 24 anos, 52% dos ouvidos acham que o presidente está envolvido no escândalo.

O caso Queiroz é um dos maiores incômodos políticos para Bolsonaro.

O ex-assessor foi preso numa casa de Frederick Wassef, advogado do presidente e do hoje senador Flávio —a quem deixou de defender logo na sequência.

Desde que o caso emergiu com força, incomodando de sobremaneira a ala militar do governo, Bolsonaro baixou sua visibilidade pública e tem tomado medidas para tentar apaziguar sua relação com outros Poderes.

Enviou emissários para falar com o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, titular de inquéritos que

atingem o bolsonarismo.

Nesta quinta (25), nomeou um técnico, o professor Carlos Decotelli, para o Ministério da Educação. Ele ocupará o lugar de um dos bolsonaristas radicais da Esplanada dos Ministérios, Abraham Weintraub, que foi para os EUA em polêmica viagem ainda como ministro, apesar de já fora do cargo na prática.

Os Bolsonaros sempre negaram saber de irregularidades atribuídas a Queiroz.

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