Sem Haddad, PT escolhe entre Padilha e Tatto para disputar Prefeitura de SP
Por Folha de S.Paulo
15/05/2020 às 10:35
Atualizado em 15/05/2020 às 10:35
Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

A semana começou com sete nomes concorrendo pela vaga de candidato do PT à Prefeitura de São Paulo –a escolha deveria ter sido feita em março não fosse a pandemia. O adiamento deu tempo para reviravoltas que terminaram em uma disputa acirrada a ser decidida neste sábado (16) entre Jilmar Tatto e Alexandre Padilha.
A votação secreta e online será feita entre 615 membros de diretórios regionais de São Paulo das 9h às 17h. Nesta sexta (15), às 18h, uma reunião virtual com os pré-candidatos e líderes petistas abre o processo.
Não é o cenário dos sonhos para petistas, que já admitem ficar fora do segundo turno na cidade e terão que disputar votos na esquerda com o provável candidato do PSOL, Guilherme Boulos. Para se fortalecer, o PT quer a ex-prefeita Marta Suplicy (Solidariedade) como vice.
O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) era o favorito no partido e tinha mais chances eleitorais. “Todo mundo gostaria que Haddad fosse candidato”, resumiu o ex-presidente Lula (PT) em fevereiro.
A recusa de Haddad, apesar da intensa pressão, levou a uma disputa com sete nomes menos conhecidos e que deixam o partido em pior situação –dependente do desgaste da direita bolsonarista e tucana e da eficiência de Lula como cabo eleitoral.
Líder maior do PT, o ex-presidente não fez acenos a nenhum dos lados. Sua preocupação é que o partido saia da votação rachado. Líderes petistas também temem que o vencedor não tenha apoio interno devido ao formato restrito da votação, amplamente contestado.
Entre os sete nomes, Tatto foi considerado favorito porque seus apoiadores são maioria nos órgãos petistas da cidade. Ele não se opôs à votação somente entre dirigentes, enquanto seus adversários defendiam prévias online com todos os filiados —formato em que Tatto também largaria com vantagem, mas que daria espaço a surpresas.
Durante a semana, porém, seu favoritismo foi posto em dúvida quando o deputado federal Paulo Teixeira, o vereador Eduardo Suplicy e o urbanista Nabil Bonduki deixaram a corrida para apoiar Padilha.
O deputado federal Carlos Zarattini também desistiu, mas não indicou seu apoio, o que beneficia Padilha na prática. A ativista do movimento negro Kika Silva foi a única a sair e apoiar Tatto.
