Cientista político vê “momento de radicalização” por parte de Bolsonaro
Por Guilherme Reis
05/05/2020 às 11:47
Atualizado em 05/05/2020 às 11:53
Foto: Divulgação

O cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Joviniano Neto vê uma crescente radicalização do discurso do presidente Jair Bolsonaro, que no último domingo (03) disse a apoiadores em Brasília que ‘está no limite’ com as interferências do Supremo Tribunal Federal (STF) e de setores do Congresso. A suprema corte barrou a nomeação de Alexandre Ramagem, amigo da família Bolsonaro, para a Polícia Federal.
“É um momento de radicalização. Bolsonaro sempre trabalhou com a polarização, confronto e identificação de inimigos, procurando representar ‘autenticidade’, o pensamento de um setor da população. Ele representa esse setor muitas vezes reprimido pelo politicamente correto”, avaliou, em entrevista ao Política Livre.
Para o especialista, Bolsonaro “usa a primeira lei da propaganda política, que é a simplificação e o inimigo único”, que agora também abrange o ex-ministro Sergio Moro. “O radicalismo é para manter o apoio e fazer com que os apoiadores se divorciem de Moro. Agora, para Bolsonaro, é fundamental mostrar que ele é diferente de Moro”, disse.
Ainda segundo Joviniano, o presidente dirige suas palavras aos seus apoiadores tradicionais, que formam um grupo mais restrito. “Ele exacerba as características dele, falando ao grupo dele, que tem uma base empresarial, de militantes evangélicos e de setores mais conservadores da população. Ele continua representando o papel de liberação da economia, mesmo que isso signifique a liberação do [corona]vírus”, pontuou.
“Ele tinha uma base política de apoio de 20% desde o início da campanha. E teve dois apelos externos, que foram Sergio Moro e Paulo Guedes. Moro trouxe o lavajatismo e Guedes, o empresariado e o liberalismo. Ele foi obrigado a se afastar de um dos pilares, que foi o Moro, sabendo que teria riscos e sabendo que a pressão de investigação sobre os filhos cresceu muito”, acrescentou.
Joviniano também acredita que Bolsonaro se sente acuado ao algumas bases sob ameaça. “Você imagina o fenômeno Bolsonaro sem as redes sociais? Sem fake news? Ele não tem um partido político, expressa um sentimento e um movimento através das redes sociais. E essa base de poder está sendo desvendada. Isso ameaça ele e os filhos”, analisou.
