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Zambelli questiona Moro sobre prints vazados: 'calculados para me expor?'

Zambelli questiona Moro sobre prints vazados: 'calculados para me expor?'

Por Estadão

25/04/2020 às 13:11

Atualizado em 25/04/2020 às 13:11

Foto: Luís Macedo/Agência Câmara

Carla Zambelli

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) publicou uma carta aberta ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, após o vazamento de conversas entre os dois para a imprensa. Na carta, divulgada no site da deputada na manhã deste sábado, 25, Zambelli se diz decepcionada e magoada com Moro e questiona se o ex-juiz calculou as respostas para expô-la.

"Fica o questionamento para um homem ao qual eu e meu marido tínhamos o maior respeito e admiração, tanto que foi nosso padrinho de casamento: Ex-ministro, a resposta que o Sr deu e o print foram friamente calculados para me expor depois?", escreveu a deputada.

Moro vazou trechos de conversas que manteve com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e com Zambelli, na sexta-feira, após pedir demissão do cargo de ministro. As imagens das conversas foram divulgadas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, e mostram diálogos sobre a troca no comando da Polícia Federal.

No caso das mensagens trocadas por Moro e Zambelli, a deputada pede que o ex-ministro aceite a indicação de Alexandre Ramagem para o comando da PF e diz que "se compromete a ajudar a fazer o JB prometer" a indicação do ex-juiz ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Na carta, a deputada escreve que a sugestão feita a Moro, e citada na conversa, era a de que ela conversasse com Bolsonaro para sugerir o nome de Moro ao STF. "Uma vez que milhões de brasileiros, inclusive eu, no passado, já se posicionaram favoráveis nesse sentido, e ele nunca negou o interesse em ser indicado", disse.

Zambelli também questionou a intenção do ex-ministro em divulgar o trecho da conversa. "Seria a intenção de Sérgio Moro tentar me imputar injustamente um crime ao expor à Globo nossa conversa privada, sem o contexto no qual chegaram àquela fase da troca de mensagens, mesmo ele sabendo que não havia nada de ilícito no que conversamos?."

"Não existe raiva, mas decepção e mágoa, uma vez que, apesar de nunca ter pensado em deixar a base de apoio do Governo Federal, não se podia esconder a tristeza, nesta sexta, em não ter mais Sérgio Moro como ministro".

Leia a carta aberta de Carla Zambelli a Sérgio Moro na íntegra:

A respeito do vazamento da conversa privada feita pelo ex-ministro Sérgio Moro comigo, deputada Carla Zambelli, para o Jornal Nacional, venho a público afirmar:

Uma vez dito que: os 57 milhões de votos que Bolsonaro obteve não carregam qualquer apoio de Sérgio Moro, que sequer estava no jogo à época da campanha eleitoral;

que meu apoio não muda há anos em relação ao PR Jair Bolsonaro, e que assim permanecerei, leal:

Não se vazam conversas privativas. Principalmente quando há laços entre estas pessoas.

Eu sempre defendi os ideais tanto de Bolsonaro, como de Moro, por quem já fui presa e denunciada pela Polícia Federal, o que, inclusive, falo nos prints divulgados e no contexto geral da conversa.

A sugestão feita, ainda na quinta-feira (23), ao então ministro era a de que eu pudesse conversar com o presidente da República para tentar sugerir o nome de Sérgio Moro para o STF, uma vez que milhões de brasileiros, inclusive eu, no passado, já se posicionaram favoráveis nesse sentido, e ele nunca negou o interesse em ser indicado.

Ramage era um nome bem aceito pelo então ministro (publicamente dito no pronunciamento desta sexta – 24) e pelo presidente Jair Bolsonaro.

Seria a intenção de Sérgio Moro tentar me imputar injustamente um crime ao expor à Globo nossa conversa privada, sem o contexto no qual chegaram àquela fase da troca de mensagens, mesmo ele sabendo que não havia nada de ilícito no que conversamos?

Não existe raiva, mas decepção e mágoa, uma vez que, apesar de nunca ter pensado em deixar a base de apoio do Governo Federal, não se podia esconder a tristeza, nesta sexta, em não ter mais Sérgio Moro como ministro.

Registro que não tenho o poder ou a função delegada pelo PR para negociar cargos no STF e o ex-ministro sabia bem deste fato.

Fica o questionamento para um homem ao qual eu e meu marido tínhamos o maior respeito e admiração, tanto que foi nosso padrinho de casamento: Ex-ministro, a resposta que o Sr deu e o print foram friamente calculados para me expor depois?”

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