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Com sucessão de embates, PF teve três diretores em menos de três anos

Com sucessão de embates, PF teve três diretores em menos de três anos

Por Folha de S.Paulo

25/04/2020 às 07:21

Atualizado em 25/04/2020 às 07:21

Foto: Agência Brasil

Imagem de Com sucessão de embates, PF teve três diretores em menos de três anos

Em pouco mais de dois anos, a Polícia Federal foi chefiada por três diretores-gerais. Trocas de comando se deram em meio a turbulências na relação entre o órgão de investigação e o Palácio do Planalto, não raro melindrado com o andamento de inquéritos contra políticos.

O delegado mais longevo no cargo foi Leandro Daiello, que permaneceu seis anos e dez meses na função, atravessando todo o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e parte da gestão de Michel Temer (MDB).

O período, entre janeiro de 2011 e novembro de 2017, foi o de mais intensa atividade da Operação Lava Jato, que levou para a cadeia autoridades de diversos partidos, principalmente os de situação.

Atritos entre a PF e os governos se deram após a nomeação de Fernando Segóvia para substituí-lo. Escalado por Temer para a função, e considerado próximo ao então presidente, ele não ficou nem quatro meses na Diretoria-Geral.

Foi demitido após declarar numa entrevista que seria arquivado, por falta de provas, o inquérito aberto para apurar se o presidente havia recebido propina de empresas do setor portuário.

Naquele momento, a investigação era a única contra o emedebista em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

Em reação, o grupo de delegados que cuidava das apurações na corte produziu memorando repudiando interferências no caso.

A atitude do então diretor-geral levaram o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, a interpelá-lo. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, chegou a pedir que ele fosse proibido de falar sobre o assunto.

A queda do diretor-geral foi decidida pelo próprio governo em fevereiro de 2018, ao avaliar que mantê-lo no cargo poderia produzir um ambiente de hostilidade ao governo em setores diversos da PF.

Para suceder Segóvia, que passou a ser chamado de “o breve” nos círculos policiais e políticos, Temer escolheu Rogério Galloro, delegado considerado discreto e de perfil técnico.

Na gestão dele, também houve embates entre a PF e o Executivo.

Já em abril daquele ano, Temer fez pronunciamento dizendo-se vítima de uma perseguição criminosa disfarçada de investigação.

Foi uma reação às investigações sobre o caso dos portos, que àquela altura apontavam seu envolvimento em possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A relação entre o governo e o grupo responsável por inquéritos no Supremo, então chefiado pelo delegado Cleyber Malta, sempre foi de deconfiança.

O mandatário viria a ser indiciado pelo delegado em outubro de 2018 e denunciado dois meses depois por corrupção e lavagem de dinheiro. Atualmente, é réu em ação pela que tramita na Justiça Federal em Brasília.

Galloro passou o bastão para Maurício Valeixo em janeiro do ano passado, após a posse de Jair Bolsonaro (sem partido) e a nomeação de Sergio Moro para o comando do Ministério da Justiça e da Segurança Pública.

Ex-superintendente da PF no Paraná, base da Lava Jato, e considerado homem de confiança de Moro, ele foi alvo de recorrentes tentativas de ingerência por parte de Bolsonaro.

Uma delas se deu em agosto do ano passado, quando o presidente ameaçou nomear um novo superintendente para a PF no Rio de Janeiro.

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