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De morte de miliciano a escolha de Denice, historiadora expõe "semelhanças" entre Rui e Bolsonaro em artigo
De morte de miliciano a escolha de Denice, historiadora expõe "semelhanças" entre Rui e Bolsonaro em artigo
Por Redação
18/02/2020 às 19:28
Atualizado em 18/02/2020 às 19:54
Foto: Divulgação/Arquivo

Um artigo da historiadora petista e professora da UFBa Patrícia Valim, intitulado "Por quem os sinos dobram na esquerda petista?", publicado no site esquerdista 247, é hoje a mais nova fonte de discussões nas redes sociais e de compartilhamento utilizadas por militantes do PT baiano.
No texto, a propósito de comentar um outro artigo, de autoria do filósofo e professor da USP Vladimir Safatle, publicado no jornal espanhol El País, Valim diz que o cinturão progressista do Nordeste, região de resistência petista ao bolsonarismo, corre perigo em razão da política de governadores como Rui Costa.
Segundo a professora, por causa de equívocos que chama de "mérito e métodos", os petistas têm atuado, em vários pontos, de forma semelhante a Jair Bolsonaro num processo de pasteurização (ausência de polarização de projetos políticos) que pode acabar com a hegemonia petista na região que é hoje a "coluna de sustentação" do PT.
Ela afirma que, "infelizmente", Rui é o caso mais 'paradigmático' desse processo, porque, além de não ter politizado o "enorme legado" dos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff e avançado com ele, tem implantado parte significativa da agenda do bolsonarismo na Bahia.
Valim cita como exemplos "a militarização da educação pública do Estado, o fechamento de escolas como o Odorico Tavares, localizado em área nobre, para venda ao setor imobiliário, o fechamento de períodos noturnos em vários colégios e a reforma da Previdência sem esclarecimento nem diálogo com a categoria".
Também refere-se ao que chama de "colaboração pouco transparente com a polícia do Rio em uma operação para prender uma testemunha fundamental no esquema da rachadinha (que se provada seria um duro golpe no bolsonarismo) e que resultou num homicídio que até a imprensa mainstream tem chamado de queima de arquivo".
Mas não deixa de destacar que o mais grave, em sua opinião, é o que classifica de militarização da política e o esvaziamento da própria política como consequência, personificada pela escolha pelo governador da major Denice Santiago, comandante de um Batalhão da PM baiana, para candidata a prefeita de Salvador pelo PT.
Ao lembrar que, depois de contar com alto índice de aprovação até o final de 2019, Rui implementou as ações nos primeiros dias de 2020, ano eleitoral que considera central como ponto de partida para derrotar a extrema-direita no país, a professora da UFBa faz uma pergunta:
- Se as semelhanças entre a política do governador da Bahia e o bolsonarismo se sobrepõem às diferenças, por que a população do cinturão progressista no Nordeste continuará votando no PT em 2020 se é tudo a mesma coisa - ainda que não seja no conjunto?
Valim também questiona a preferência por Denice em detrimento da socióloga Vilma Reis, uma petista, como candidata da sigla, advertindo ser difícil ao partido se reconectar com a população quando sua direção dá como única resposta ao genocídio dos negros e ao racismo uma candidata que silencia sobre isso em nome da hierarquia militar.
"Por tudo isso, que não é pouco, Vladimir Safatle expõe a maior contradição da esquerda petista nesse início de 2020 e acerta muito quando afirma que falta polarização e sobra duplicidade, principalmente no governo do estado da Bahia, que é central para o petismo e para a sobrevida do cinturão progressista formado em 2018", assinala.
O artigo de Patrícia Valim pode ser lido na íntegra aqui. O de Vladimir Safatle aqui.
