Bolsa brasileira recua em dia de tensões entre Irã e Estados Unidos
Por Folhapress
03/01/2020 às 20:15
Atualizado em 03/01/2020 às 20:15
Foto: Gabriela Biló/Estadão

O otimismo que tomou conta da Bolsa brasileira no primeiro pregão do ano foi diluído nesta sexta-feira (3), diante da notícia de ataques aéreos por parte dos Estados Unidos no aeroporto de Bagdá, no Iraque.
O índice Bovespa -principal indicador do desempenho médio das ações negociadas na B3- encerrou o segundo pregão do ano com queda de 0,73%, aos 117.706 pontos. Em ambiente de tensão, o volume de negócios atingiu R$ 29,1 bilhões.
Com o noticiário doméstico fraco, o Ibovespa passou o dia acompanhando a queda nas Bolsas internacionais. Todos principais mercados do mundo encerraram em queda: a maior de todas foi do índice Dax, de Frankfurt, que recuou 1,25%. S&P 500 e Dow Jones caíram 0,71% e 0,81%, respectivamente. Na Ásia, as bolsas de Tóquio e Xangai fecharam em queda de 0,76% e 0,18%, nesta ordem.
A operação militar americana no Iraque foi responsável pela morte de Qassem Soleimani, comandante da força de elite Quds do Irã. Segundo o analista Samuel Torres, da Capital Research, o evento trouxe forte tensão aos mercados devido ao receio do início de uma guerra entre os dois países.
"Soleimani tinha forte influência no regime iraniano, de maneira que o líder Ali Khamenei prometeu vingança e retaliação", disse o analista. Para ele, o acontecimento pode refletir o crescimento da economia global e, por isso, os ativos de risco (como ações) são impactados negativamente conforme os investidores migram para ativos de menor risco.
"Esses, por outro lado, são justamente os que se beneficiam nesses momentos, como o ouro, Treasuries [títulos do Tesouro dos EUA], dólar e iene. Ativos que estão comprados em volatilidade, também se beneficiam", completa Torres. O dólar comercial encerrou a sessão desta sexta-feira em alta de 0,77%, cotado em R$ 4,0560. O ouro, por sua vez, subiu 2,93%.
Os especialistas ainda afirmam que somado ao ataque, o fato de o Irã ser a quarta maior reserva de petróleo do mundo traz a perspectiva de que a oferta global da commodity possa ser afetada. O barril do petróleo tipo Brent ficou em R$ 68,65, com avanço de 3,62%.
Em relatório, a XP pontuou que apesar de à primeira vista a Petrobras reagir positivamente, o mercado deverá monitorar, ao longo dos próximos dias, se a companhia repassará o aumento nos preços do petróleo.
"Normalmente, a Petrobras não tem reagido a movimentos de curto prazo, principalmente quando não há mudança estrutural de oferta e demanda, como foi o caso do ataque à Arábia Saudita em setembro", informou a XP.
