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Para atrair bilhões árabes, Brasil quer reforçar medidas pró-setor privado

Para atrair bilhões árabes, Brasil quer reforçar medidas pró-setor privado

Por Folhapress

26/10/2019 às 10:30

Foto: Divulgação

Da China, Bolsonaro embarcou para Emirados Árabes

O governo brasileiro chega aos Emirados Árabes Unidos, neste sábado (26), com dois argumentos para atrair investimentos dos bilionários fundos soberanos aos projetos de infra-estrutura que pretende leiloar em 2020. De um lado, exibirá nove mudanças regulatórias já feitas ou em curso, que pretendem flexibilizar contratos, mitigar riscos e tornar o país mais amigável ao setor privado. De outro, reforçará que o investimento em infraestrutura e logística é fundamental para garantir um mercado importantíssimo para os árabes: as exportações do agronegócio, dos quais os Emirados são um dos principais compradores.

Aos investidores árabes, serão apresentados cerca de 20 projetos do PPI (Plano de Parcerias de Investimento, criado no governo Temer pela mesma equipe que comanda o Ministério da Infraestrutura de Bolsonaro), com potencial para levantar R$ 200 bilhões até 2022, segundo a pasta. Há negociações também na área de defesa, diz o embaixador Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega, secretário de Negociações Bilaterais no Oriente Médio, e oportunidades em energia renovável, inovação e no setor médico-hospitalar.

O estoque de investimentos diretos dos Emirados Árabes no Brasil é modesto, segundo o Banco Central -em 2017, somavam US$ 703 milhões, 0,1% do montante investido por americanos, por exemplo. O valor, porém, é crescente -o dobro do computado em 2016 e quatro vezes o de 2010- e com potencial de se multiplicar pela ação de fundos como o Mubadala, que soma US$ 230 bilhões em ativos no mundo (mais de R$ 900 bilhões) e investimentos em áreas como defesa, energia e mineração em mais de 50 países.

No Brasil desde 2011, a Mubadala Capital (braço gestor para o fundo e terceiros) administra cerca de US$ 2 bilhões (R$ 8 bilhões) investidos em portos, estradas, mineração, imóveis e entretenimento. Atividades ligadas ao setor de óleo e gás brasileiro, como logística e refino, podem estar no foco do fundo, diz advogado Giovani Loss, sócio de escritório Mattos Filho e especialista em infraestrutura e energia. Neste ano, o Mubadala participou de consórcio para a compra da TAG, rede de gasodutos do Nordeste, mas não venceu a concorrência. "Existe um movimento no Oriente Médio de internacionalizar investimentos", diz Loss.

O apetite é ainda maior nos Emirados Árabes, que já cumpriram um ciclo gigantesco de investimento interno em infraestrutura e no setor imobiliário. Além de aplicar em outros países, têm também diversificado as áreas de atuação, para reduzir a importância relativa da indústria do petróleo. Os fundos soberanos são os principais investidores em logística, como aeroportos e portos, não como operadores, mas como financiadores. "O papel deles é o daquele que assina cheque alto", diz a advogada Marina Anselmo, sócia do Mattos Filho e especialista em infraestrutura.

Na visita de agora, sai de foco o agronegócio (que já foi tema de visita em setembro feita pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina) e entram as obras de infraestrutura. Cristina, que acompanhou Bolsonaro ao Japão e à China, volta ao Brasil, e há a expectativa de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, se junte à comitiva. O chefe de assessoria especial da Economia Caio Megale participa das conversas com empresários.

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