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Após desconforto, Pernambuco ameniza orientação para evitar praias com óleo

Após desconforto, Pernambuco ameniza orientação para evitar praias com óleo

Por Folhapress

26/10/2019 às 21:30

Após um desconforto no governo de Pernambuco, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) amenizou a recomendação para que banhistas evitem praias atingidas pelo óleo que chegou à região há uma semana. Em um relatório publicado nesta sexta (25), o órgão listou 18 locais onde os visitantes não deveriam entrar no mar, incluindo a praia de Muro Alto (veja a lista abaixo). Foi lá que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, molhou os pés no mesmo dia e disse que levaria sua família.

Neste sábado (16), porém, a agência relativizou o documento. Convocou uma entrevista coletiva às pressas para explicar que o relatório se refere a manchas observadas na região nos dias 21 e 22 de outubro, e que elas já podem ter se dissipado. "Como temos um dinamismo muito grande das marés e estamos fazendo mutirões de limpeza, conseguimos entregar a praia limpa muito rapidamente. Tem praia com óleo num dia, e no outro não. Queríamos explicar para a população que, caso veja o óleo, não entre na água, mas caso não veja, o banho não é impedido", afirmou à Folha o presidente da CPRH, Eduardo Elvino.

A reportagem apurou que o relatório provocou um desconforto no governo do estado e uma insatisfação no setor turístico da região, depois que foi amplamente divulgado pela imprensa local na manhã deste sábado.

Elvino nega que tenha havido pressão. Ele diz que o órgão decidiu explicar logo o documento, em vez de esperar mais uma semana pelo próximo relatório. "Esperar sete dias para dizer que pode entrar se não tiver óleo poderia prejudicar os municípios que tiveram óleo nos dias 21 e 22", afirmou.

A declaração vai na mesma linha de falas do ministro do Turismo e do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na quinta-feira (24). Tanto o governo federal quanto o estadual, porém, não informaram quais critérios técnicos utilizaram para embasar essa posição. Uma análise química da água ainda não foi concluída para dizer se há ou não contaminação, mesmo sem o óleo visível. O resultado desse estudo laboratorial, mais complexo, só será divulgado pelo CPRH, em parceria com a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), na próxima semana.

Na contramão da agência, pesquisadores recomendam que não se entre na água enquanto esse exame não ficar pronto. "Os locais precisariam ser interditados até que se faça a análise da água", afirma a bióloga Mariana Guenther, professora da federal.

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