Eduardo Salles
Ataques de cães causam prejuízos a pecuaristas baianos
22/05/2026 às 09:36
Não bastasse a seca e a variação do preço dos insumos, os pecuaristas baianos agora possuem mais uma preocupação: bodes, cabras, carneiros, ovelhas, galinhas e bezerros têm sido vítimas de cães quase selvagens que caçam em matilhas. Os relatos dos ataques às propriedades em diversos municípios do estado nos últimos anos só aumentam, assim como os prejuízos dos produtores rurais.
Não temos um número concreto de quantos animais já foram mortos nos últimos anos, mas, conforme relatos das secretarias municipais de Agricultura e da Secretaria Estadual de Agricultura, as estimativas são preocupantes e por causa dos sérios prejuízos causados aos pequenos produtores.
Os vídeos e as fotos publicados na imprensa e nas redes sociais mostram um quadro desolador nas propriedades. Pecuaristas que têm pequenos plantéis vêm, de uma hora para outra, sua única fonte de sustento completamente perdida. A maioria dos relatos de ataques ocorre nas regiões do Sisal, Piemonte Norte do Itapicuru e Bacia do Jacuípe, mas outros locais têm sofrido também.
Não há nenhuma intenção da pecuária baiana de criar um clima contrário aos cães nos municípios baianos, mas não podemos negar que a superpopulação desses animais chegou ao ponto da necessidade urgente de implantarmos uma política pública de controle.
Muitos municípios não conseguem, por falta de recursos e estrutura sanitária, promover uma política agressiva de castração. Os animais se reproduzem em grande quantidade e, sem acesso aos alimentos convencionais, começam a caçar nas propriedades rurais.
O deputado estadual Luciano Araújo, meu colega na Assembleia Legislativa da Bahia, que pautou o assunto na Assembleia Legislativa em função de Conceição do Coité, que fica na sua região, ser uma dos municípios mais afetados, é autor do projeto de lei que institui a política sanitária de controle de cães errantes que atacam e causam mortes a caprinos e ovinos na zona rural dos municípios de nosso estado.
O texto considera cães errantes aqueles que não estão sob controle dos seus donos e vivem livremente pelas ruas, parques, estradas e logradouros das zonas rurais dos municípios.
O projeto propõe a realização de campanhas educativas sobre posse responsável, identificar os animais responsáveis pelos ataques para receber um chip ou coleira de monitoramento, disponibilizar prontuário e canal de denúncia, responsabilização de tutores, controle reprodutivos e implantação de canis regionais.
As nossas provocações feitas na Assembleia Legislativa já surtiram efeito e a Secretaria Estadual de Agricultura investiu recursos para tentar castrar 10 mil cães nas regiões do Sisal e da Bacia do Jacuípe.
A Bahia possui os maiores rebanhos de caprinos e ovinos do Brasil, e esses animais são fundamentais à economia de diversos municípios porque têm maior resistência à seca. Agora em maio estive em Ourolândia e pude comprovar a grave situação.
Nenhum pecuarista baiano é favorável a maus-tratos ou qualquer ação que incida em ferir a legislação de proteção aos animais. Mas os poderes públicos não podem mais negligenciar o caos vivido por pequenos produtores. Além dos prejuízos econômicos ao homem do campo, o controle populacional é uma política pública de saúde.
A revolta dos pecuaristas com o clima de insegurança é latente em diversos municípios e precisamos, o mais rápido possível, e sem contam o debate com coloração partidária, oferecer soluções aos pecuaristas.
