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Midterms nos EUA podem alterar agenda de Trump e influenciar dólar e juros no Brasil
Midterms nos EUA podem alterar agenda de Trump e influenciar dólar e juros no Brasil
Por Redação
02/11/2026 às 09:28
Foto: Reprodução/Arquivo/Instagram
Donad Trump
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem limitar o espaço de Donald Trump para aprovar medidas econômicas e provocar reflexos nos mercados internacionais, inclusive no Brasil. A disputa renova as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Projeções citadas pelo g1 apontam vantagem dos democratas, principalmente na Câmara, onde o partido teria 96% de probabilidade de conquistar a maioria. No Senado, a disputa é mais equilibrada, com estimativas de 65% a 72% de chance de controle democrata. O cenário ocorre em meio à queda de popularidade de Trump, cuja gestão registra 66% de desaprovação em pesquisa Reuters/Ipsos.
Uma eventual vitória democrata nas duas Casas pode dificultar a aprovação de projetos do presidente e ampliar a fiscalização sobre o Executivo. Já a manutenção do controle republicano daria a Trump mais liberdade para avançar com cortes de impostos, desregulamentação e medidas comerciais. Segundo economistas ouvidos pelo g1, essas decisões podem afetar as contas públicas americanas e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Juros mais altos nesses papéis tendem a atrair investidores para o mercado americano, reduzindo o fluxo de recursos para países emergentes, como o Brasil, e pressionando o dólar e as taxas de juros futuras. Uma vitória democrata poderia aliviar essa pressão, favorecer o real e tornar os mercados emergentes mais atrativos, embora conflitos entre o governo e o Congresso também possam aumentar a volatilidade.
A relação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo anterior, também aparece entre os fatores de preocupação para investidores. Especialistas avaliam que a convivência entre os dois governos pode ser marcada por novos atritos, a exemplo do tarifaço e das medidas relacionadas à Lei Magnitsky. Uma vitória republicana poderia dar mais sustentação política às iniciativas de Trump, enquanto o avanço democrata ampliaria a fiscalização sobre o governo e poderia acelerar a reação do Congresso a essas medidas. A mudança na composição legislativa, porém, não significa necessariamente o fim das tarifas: o presidente americano ainda pode recorrer a dispositivos da legislação comercial, como as Seções 232 e 301, para impor taxas sobre produtos importados.
