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Emiliano José e Antonio Pastori lançam livros durante encontro sobre poesia, memória e resistência
Emiliano José e Antonio Pastori lançam livros durante encontro sobre poesia, memória e resistência
Por Redação
03/11/2026 às 17:39
Atualizado em 03/11/2026 às 18:03
Antonio Pastori e Emiliano José
Entre a força da poesia e a memória da resistência à ditadura militar, Emiliano José e Antonio Pastori se encontram para lançar dois livros no dia 26 de novembro, das 18h às 21h, na Aliança Francesa, na Ladeira da Barra, em Salvador. Publicadas pela Kotter Editorial, as obras “A Ilha dos Pássaros Rubros”, de Pastori, e “Heládio, o Bengalante”, de Emiliano, percorrem caminhos distintos, mas compartilham reflexões sobre liberdade, dignidade humana e enfrentamento do autoritarismo.
Em “Heládio, o Bengalante”, Emiliano José recupera a trajetória de Heládio Leme, militante da Ação Popular preso e torturado durante a ditadura militar. Da juventude no interior paulista à vida na Bahia, a narrativa acompanha sua militância e também seu enfrentamento da doença de Parkinson. A bengala surge como símbolo de resistência, enquanto a história reúne memória política, envelhecimento, afeto e dignidade.
“O livro sobre Heládio é testemunho de uma época sombria e revelação de um personagem admirável pela dedicação à militância revolucionária, pelo espírito indomável, pelo cultivo de princípios éticos exemplares, pela luta em torno dos direitos humanos e por uma incrível capacidade de encarar a morte quando ela bate à porta – nele não se encontrará nenhum espírito vitimizado, nenhuma rendição”, diz Emiliano José.
Como ateu, olha para a indesejada das gentes com alguma ironia, mesmo defrontado com os rigores de um Parkinson devastador. E é em meio a esse momento, da proximidade do fim, a descoberta de habilidades artísticas, reveladas por ilustrações a compor o livro. Deixou legado e saudades.”, completa o autor.
Jornalista, ex-preso político, professor doutor em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia e autor de mais de duas dezenas de livros, Emiliano José escreveu, entre outras obras, “Marighella, o inimigo número um da ditadura militar” e, com Oldack de Miranda, “Lamarca, o Capitão da Guerrilha”.
Em “A Ilha dos Pássaros Rubros”, Antonio Pastori retorna à literatura 25 anos após seu último livro. A obra reúne poemas de verso livre, organizados em blocos que funcionam como “ilhas de sentido”, e combina lirismo, memória e reflexão política. Com influências rítmicas do jazz e do blues, aborda as marcas do exílio, a resistência e a defesa da palavra livre.
“Busquei na metáfora dos pássaros rubros a força necessária para falar sobre as feridas abertas da nossa história e a urgência de manter a palavra viva e livre. A poesia, para mim, é essa ilha de resistência: um lugar onde o afeto e o clamor coletivo se encontram para desenhar horizontes possíveis, mesmo quando o cenário ao redor pareça árido. Espero que esses versos sirvam como um ponto de encontro e de sopro de esperança para quem segue a trilha até a nossa ilha.”, afirma Antonio Pastori.
Cineasta, jornalista, poeta e documentarista, Pastori é autor de “Danza i Cicuta” (1996) e “Boa Noite Sol” (2001). Com atuação na televisão desde 1986, dirigiu produções dedicadas à memória histórica e à cultura baiana, além de participar da criação da série “Bahia Singular e Plural”.
