Defesa de Vorcaro pede a Fachin perícia oficial em celular apreendido
Advogado esteve com assessores do presidente do STF e diz que extração tem de preservar dados brutos do aparelho
Por Ana Pompeu/Folhapress
03/11/2026 às 19:45
Atualizado em 03/11/2026 às 20:19
Foto: Reprodução
Daniel Vorcaro
A defesa de Daniel Vorcaro pediu ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, uma perícia oficial sobre o celular do ex-dono do Banco Master. O advogado Sérgio Leonardo foi recebido nesta terça-feira (3) por integrantes do gabinete do ministro, que relata o caso temporariamente, para tratar dos pedidos ainda sem decisão.
"Nós precisamos que uma perícia oficial seja feita, e que a defesa tenha assegurado os dados brutos, completos dessa extração, que é a única forma de a gente aferir se aquela prova foi obtida de forma lícita ou não", disse Leonardo na saída da audiência.
No fim de outubro, os advogados apresentaram à corte o resultado de uma perícia preliminar contratada pela defesa que aponta supostas modificações no celular do ex-banqueiro após a apreensão, em novembro do ano passado.
O documento é usado pelos advogados para questionar a higidez das provas usadas pela Polícia Federal nos inquéritos que investigam Vorcaro e para pedir que o órgão apresente dados que, segundo eles, têm sido solicitados desde fevereiro.
Na petição enviada ao Supremo, a defesa diz que os pontos levantados pelo perito implicam "necessariamente que a liberdade [de Vorcaro] seja restabelecida" porque consideram que não é razoável que ele continue preso enquanto não houver um exame mais profundo do conteúdo do telefone. Procurada, a assessoria da PF não quis se pronunciar sobre a acusação.
Nesta terça, os advogados também criticaram o indiciamento feito pela PF, diante da ausência dessa verificação no aparelho de Vorcaro.
"Foi feito um indiciamento afoito, apressado, num pedido totalmente contraditório, em que a autoridade policial pede para continuar a investigar, mas desde logo indicia. Diz que falta ouvir um tanto de gente, que não fez perícia, e tem muitas dúvidas a esclarecer, mas fez um indiciamento. Então a prisão já se prolongou demais", disse.
No último dia 28, a PF concluiu o primeiro inquérito sobre suspeitas relacionadas ao Master, e indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília).
A Vorcaro são atribuídas suspeitas dos crimes de gestão fraudulenta, de fraude à fiscalização, de lavagem de dinheiro, de indução ou manutenção em erro sobre operação financeira e de participar de organização criminosa. O documento da PF tem mais de 700 páginas e foi entregue ao Supremo.
Daniel Vorcaro está preso na Papudinha, como ficou conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.
