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Com aval de Lula, presidente do PT atua para expulsar grupo apelidado de 'centrão' do partido

Com aval de Lula, presidente do PT atua para expulsar grupo apelidado de 'centrão' do partido

Por Catia Seabra, Folhapress

03/11/2026 às 13:45

Foto: Divulgação/Arquivo

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O presidente nacional do PT, Edinho Silva

O presidente do PT, Edinho Silva, está prestes a entrar em guerra com uma ala do partido internamente apelidada de "centrão petista". O embate pode culminar na tentativa de expulsão de integrantes considerados desalinhados com a proposta de renovação partidária defendida por Lula.

Com aval do presidente da República, Edinho tem pregado o que chama de divórcio com esses integrantes do partido, também acusados de omissão na campanha presidencial.

Na quinta-feira (29), durante reunião da Executiva Nacional do PT, Edinho propôs essa saída voluntária de dirigentes do partido que se omitiram na eleição, chegando a tirar férias no segundo turno, enquanto Lula precisava de uma virada inédita para derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.

Em seu discurso de encerramento, Edinho falou em divórcio litigioso, ou seja: expulsão da sigla. Ao encerrar a reunião da Executiva, contou ter saído de um café com Lula, além de ter conversado na véspera com o presidente sobre o futuro do PT.

Repetindo uma avaliação atribuída a Lula, Edinho afirmou que o partido não deve ser instrumento de projeção e enriquecimento pessoais, mas um projeto coletivo. O presidente do PT citou ainda uma manifestação pública de Lula em agradecimento à sua atuação na coordenação da campanha e propôs a constituição de uma nova maioria dentro da sigla.

A partir desse recado, os participantes da reunião chegaram à conclusão de que Edinho recebeu de Lula a incumbência de expulsar seus opositores, sendo Washington Quaquá o primeiro alvo.

Ele é prefeito de Maricá (RJ), cidade onde Lula perdeu nos dois turnos das eleições. Presidente do PT do Rio, o filho de Quaquá, Diego Zeidan, viajou para a Bahia após o primeiro turno, o que exigiu uma intervenção na coordenação de campanha no estado do Rio.

Procurado, o prefeito de Maricá afirmou que toda a campanha de Lula no Rio foi feita por ele e que seu filho teve que se afastar por quatro dias seguindo orientação médica após um pico de pressão. Vice-presidente do PT, ele chamou Edinho de mentiroso, incompetente e fofoqueiro, um crítico do fascismo que não tolera a crítica e estaria com medo de disputar a sigla com ele.

"Eu tenho tanto ou mais tempo de PT que ele. Com a diferença que sou de favela. Se alguém tem que tem que sair do PT e ir para PSOL é ele. Eu sou PT raiz".

Por seus posicionamentos controversos —como a defesa de Domingos Brazão, apontado como mandante do assassinato de Marielle Franco, e de operação policial que deixou 120 mortos no Rio—, Quaquá já é alvo de pedidos de expulsão na comissão de ética do partido. Mas essas solicitações não avançaram.

Na quinta-feira, ele não assistiu ao discurso de Edinho, tendo boicotado a reunião da Executiva Nacional do PT, instância decisória mais restrita, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha de Lula.

Em mensagens de grupo, Quaquá se opôs à reunião, na tentativa de abrir uma dissidência contra Edinho. Mas, segundo petistas, o prefeito de Maricá não é o único na mira de Lula. De acordo com relatos, o presidente mantém arquivados panfletos de campanha de petistas sem o seu nome e quer que esses correligionários sejam enquadrados.

Em setembro, Edinho cobrou a inclusão do nome do presidente e de candidatos majoritários apoiados pelo partido no material de campanha distribuído pelos petistas que concorreram a deputado.

Ele ameaçou exigir a devolução de dinheiro do fundo eleitoral, em caso de descumprimento da orientação partidária. A cobrança se deu em meio à troca de acusações de infidelidade em grupos de conversas compostos por petistas, nos quais foram reproduzidos panfletos sem o nome de candidatos a governos estaduais e ao Senado e, em alguns casos, até do próprio presidente.

Após a vitória impulsionada por forte mobilização popular, Lula tem repetido que o PT precisa responder ao recado das ruas. Do contrário, os jovens que se manifestaram em prol de sua reeleição fundarão outro partido, segundo ele.

Ainda de acordo com esses relatos, o presidente defende que a sigla esteja afinada com as propostas de campanha, que incluem a redução do papel das emendas parlamentares no Orçamento. No Congresso, petistas que se adaptaram a essas práticas e outras da dinâmica parlamentar foram apelidados pelos colegas de partido de "centrão do PT".

Por outro lado, a possibilidade de expulsão desses petistas pode reabrir o racha na própria corrente do presidente Lula, a CNB (Construindo um Novo Brasil). Maior força do partido, a CNB abriga Edinho e seus desafetos, sendo que os dois grupos compuseram na disputa pela presidência do partido. Após um acordo alinhavado por Lula, Quaquá apoiou Edinho para o comando do PT.

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