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Urnas frustram projeções para a Câmara e votação de medalhões fica abaixo do esperado na Bahia

Urnas frustram projeções para a Câmara e votação de medalhões fica abaixo do esperado na Bahia

Por Política Livre

06/10/2026 às 15:00

Atualizado em 06/10/2026 às 15:50

Foto: Divulgação/Arquivo

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Paulo Magalhães Jr. (PSD)

As urnas trouxeram uma constatação para boa parte da classe política baiana nas eleições deste domingo (4): as contas feitas durante a campanha, em muitos casos, estavam superestimadas. Deputados que trabalhavam internamente com a expectativa de ultrapassar com folga a barreira dos 100 mil votos terminaram abaixo dela, enquanto outros viram cair de forma significativa o desempenho obtido quatro anos atrás.

O fenômeno atingiu tanto candidatos à Câmara dos Deputados quanto postulantes à Assembleia Legislativa da Bahia. E, em alguns casos, nem mesmo ultrapassar os 100 mil votos foi suficiente para garantir uma cadeira, efeito do sistema proporcional e do desempenho das chapas e federações.

Um dos exemplos mais emblemáticos foi Félix Mendonça Júnior (PDT), reeleito para a Câmara. Nos bastidores da campanha, a expectativa girava entre 80 mil votos, mesmo o parlamentar tendo influenciado a candidatura de aliados ao Legislativo para melhorar o desempenho da legenda. Félix terminou com pouco menos de 60 mil. Em 2022, havia recebido 71.774 votos.

Situação semelhante ocorreu com Paulo Magalhães (PSD), que não renovou o mandato. A expectativa era superar os 100 mil votos, patamar que ele já havia alcançado quatro anos antes. Em 2022, ele teve 107.093 votos; desta vez, ficou na casa dos 82 mil. Apesar da votação menor, permanece bem posicionado na fila de suplentes e pode chegar ao Legislativo caso haja movimentação na bancada do partido com uma eventual convocação de parlamentar para o Executivo.

No MDB, Jayminho Vieira Lima conseguiu ficar próximo da expectativa e ultrapassou os 110 mil votos, mas perdeu o pleito. O contraste na chapa foi a ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho. Ex-deputada federal, ex-deputada estadual e quatro vezes prefeita de uma das maiores cidades da Região Metropolitana, ela terminou com apenas 5.350 votos, contribuição pequena para a soma da legenda.

Sargento Isidório

Sargento Isidório


Fenômeno Isidório - Ainda para federal, se muitos fizeram contas acima do que efetivamente apareceu nas urnas, Pastor Sargento Isidório (Avante) percorreu o caminho inverso. Ele saiu de 77.164 votos em 2022 para se transformar no deputado federal mais votado da Bahia em 2026, com cerca de 248 mil votos.

Neto Carletto também confirmou sua força eleitoral e chegou perto dos 200 mil votos, após ter obtido 164.655 quatro anos antes. Já Dr. Marcelo, apesar do apoio político recebido durante a campanha do senador eleito Rui Costa (PT), ficou na faixa dos 57 mil votos e não conseguiu acompanhar os dois puxadores do Avante.

No PSB, a eleição para federal também ficou abaixo das expectativas de alguns dos seus principais nomes. Lídice da Mata terminou com 89.705 votos, ante 112.385 em 2022. A ex-prefeita de Salvador manteve força na capital, onde conquistou 43.023 votos — quase metade de toda a sua votação no estado —, mas isso não foi suficiente para garantir a reeleição.

Mário Negromonte Júnior também perdeu votos em comparação com 2022, quando chegou a 147.711, embora tenha permanecido na casa dos 100 mil. Vitor Bonfim, por sua vez, ficou na faixa dos 87 mil votos e também não conseguiu êxito. 

Márcio Marinho

Márcio Marinho


Veteranos perdem - No Republicanos, a comparação com 2022 ajuda a dimensionar o recuo de nomes conhecidos. O deputado federal Márcio Marinho havia conquistado 118.904 votos quatro anos atrás e caiu para cerca de 96 mil. Léo Prates também perdeu força: saiu de 143.763 votos em 2022 para pouco mais de 103 mil agora.

Diego Coronel, embora tenha conseguido novo mandato, também ficou abaixo dos 171.684 votos obtidos em 2022, terminando desta vez na faixa dos 140 mil.

Rogéria Santos sofreu destino semelhante. Eleita em 2022 com 82.012 votos, terminou a eleição de 2026 com pouco mais de 70 mil e ficou fora da nova composição da Câmara.

Mais acentuada ainda foi a queda de Marcelo Nilo. O ex-presidente da Assembleia, que havia recebido 65.363 votos para deputado federal em 2022, terminou desta vez com cerca de 18 mil. Outros candidatos da chapa tiveram desempenhos ainda menores.

No PL, João Bacelar, ao contrário, cresceu em relação à eleição passada: havia feito 90.229 votos em 2022 e agora passou dos 100 mil. Capitão Alden também avançou, saindo de 95.151 para cerca de 105 mil. Raissa Soares e Roberta Roma lideraram a votação da legenda.

Cacá Leão

Cacá Leão


União e PP - Na chapa formada por União Brasil e PP também sobraram exemplos de campanhas que esperavam mais das urnas na disputa pela Câmara. Cacá Leão, que disputou o Senado em 2022 e recebeu 1,8 milhão de votos naquele pleito majoritário, conseguiu agora cerca de 80 mil na corrida proporcional para deputado federa e não se elegeul.

Elmar Nascimento também sofreu redução considerável. Em 2022, foi o segundo deputado federal mais votado da Bahia, com 175.439 votos. Desta vez ficou na casa dos 130 mil. Entretanto, consegui uma vaga. 

Arthur Maia repetiu votação próxima à de quatro anos atrás — 108.672 em 2022 e pouco mais de 100 mil agora —, mas acabou atingido pela matemática da disputa proporcional e ficou na suplência. Zé Chico, empresário de Feira de Santana apoiado pelo prefeito José Ronaldo (União), terminou com aproximadamente 48 mil e também ficou de fora.

Outro resultado que chamou atenção foi o do vereador de Salvador Jorge Araújo. Eleito em 2024 com 36.065 votos — a maior votação para vereador da capital em quatro décadas —, conseguiu somente 24.813 votos na tentativa de chegar à Câmara Federal e não entrou. Ele atualmente é deputado federal por conta da licença de João Leão (PP).

A ex-deputada federal Professora Dayane Pimentel, que em 2018 chegou à Câmara com 136.742 votos, teve pouco mais de 5 mil desta vez, mesmo tendo recebido verba do partido igual a de deputado federal. 

Olívia Santana

Olívia Santana


Brasil da esperança - A Federação Brasil da Esperança ofereceu talvez o retrato mais curioso da eleição. O PCdoB concentrou sua chapa em poucos nomes competitivos e conseguiu eleger Olívia Santana, Alice Portugal e Daniel Almeida para deputado federal.

Maria Marighella (PT) foi uma das grandes surpresas positivas. Ela praticamente dobrou o desempenho de 2022, quando havia recebido 53.364 votos, e passou dos 108 mil, impulsionada por uma votação expressiva em Salvador. Foi eleita para a Câmara. 

Do outro lado apareceu Zé Neto (PT). Mesmo superando os 100 mil votos, ficou fora da lista de eleitos. Bacelar (PV) viveu situação semelhante, também ultrapassando a marca dos 100 mil e não se reelegendo. Os casos mostram como, numa eleição proporcional, votação individual elevada não significa necessariamente mandato.

No PSDB, a surpresa ficou por conta de Carlos Muniz Filho, que estreou na disputa federal chegando à casa dos 140 mil votos e liderando a chapa tucana. Adolfo Viana veio logo atrás, com cerca de 119 mil. Os dois foram eleitos. Vereadores de Salvador, Mauricio Trindade e Duda Sanches apareceram na faixa dos 40 mil a 50 mil votos, enquanto Flávio Matos, de Camaçari, ficou pouco acima dos 20 mil.

Raimundo Costa (PSD) foi outro que surpreendeu. Ele havia sido eleito em 2022 com 53.486 votos e praticamente dobrou sua votação, chegando à casa dos 100 mil.

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