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Urnas fortalecem Caetano em Camaçari, mas oposição também garante espaço na Assembleia
Urnas fortalecem Caetano em Camaçari, mas oposição também garante espaço na Assembleia
Por Política Livre
07/10/2026 às 19:15
Foto: Patrick Abreu/Divulgação PMC/Arquivo
O prefeito de Camaçari Luiz Caetano (PT)
Quarto maior colégio eleitoral da Bahia, Camaçari saiu das eleições de 2026 com uma nova configuração de forças políticas. As urnas fortaleceram o prefeito Luiz Caetano (PT), que viu três nomes diretamente ligados ao seu grupo conquistarem mandatos, mas também reservaram espaço importante para a oposição, sobretudo com a eleição do ex-prefeito Elinaldo Araújo (União) para a Assembleia Legislativa.
Camaçari chegou ao pleito deste ano com 210.364 eleitores, atrás na Bahia apenas de Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista. O tamanho do eleitorado ajuda a dimensionar o peso político dos resultados obtidos pelos grupos que há anos polarizam a disputa pelo comando da cidade.
Do lado governista, o maior símbolo da força demonstrada nas urnas foi a deputada federal Ivoneide Caetano (PT), esposa do prefeito. Ela recebeu 51.861 votos somente em Camaçari, o equivalente a 34,62% dos votos válidos para deputado federal no município. Foi mais de três vezes a votação do segundo colocado, o ex-vereador Flávio Matos (PSDB), nome da oposição, que alcançou 16.771 votos. O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante) apareceu na terceira posição, com 11.748.
O desempenho de Ivoneide não ficou restrito ao reduto político do marido. A petista terminou a eleição com 163.055 votos em toda a Bahia, a sétima maior votação para a Câmara dos Deputados no Estado e a segunda maior entre os candidatos do PT, garantindo mais quatro anos em Brasília.
A demonstração de força do grupo de Caetano se repetiu na disputa pela Assembleia. Vereador de Camaçari, Tagner Cerqueira (PT) liderou com folga a votação para deputado estadual no município: foram 40.596 votos. Ele acabou eleito com 63.032 votos em toda a Bahia, o que significa que quase dois de cada três votos obtidos pelo petista vieram de Camaçari.
Outro aliado do prefeito, Júnior Muniz (PT), recebeu 8.487 votos no município e também conquistou mandato, sendo reeleito para a Assembleia com 74.146 votos no estado. Na prática, portanto, Caetano saiu das urnas com três aliados eleitos: Ivoneide para a Câmara Federal e Tagner e Júnior Muniz para a Assembléia.
Oposição - Se os números locais favoreceram o grupo governista, a oposição também tem o que comemorar. Ex-prefeito de Camaçari por dois mandatos consecutivos, Elinaldo recebeu 23.396 votos na cidade. Ficou atrás de Tagner em seu antigo reduto, mas compensou com uma votação pulverizada pelo interior e encerrou a disputa com 101.314 votos em toda a Bahia.
O resultado colocou Elinaldo entre os deputados estaduais mais votados do Estado. Ele terminou em sexto lugar na classificação geral e, mais do que isso, foi o candidato mais votado da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, superando nomes tradicionais da política baiana que concordaram à Assembleia.
A comparação entre Tagner e Elinaldo revela estratégias eleitorais distintas. O petista concentrou a maior parte de sua força em Camaçari, onde recebeu 40.596 dos seus 63.032 votos. Já o ex-prefeito obteve 23.396 dos seus 101.314 votos na cidade que administrou entre 2017 e 2024, mostrando capacidade de expandir sua base para outros municípios. Elinaldo foi votado em 383 cidades baianas, inclusive em cidades como Lauro de Freitas e o sul baiano.
Na corrida pela Câmara Federal, a oposição teve ainda o desempenho de Flávio Matos. Ex-vereador e candidato a prefeito em 2024, ele recebeu 16.771 votos em Camaçari e ficou na segunda posição no município, atrás apenas de Ivoneide.
Coletiva - Nesta quarta-feira (7), Caetano reuniu Ivoneide, Tagner, Júnior Muniz e outros aliados em uma coletiva de imprensa em Camaçari para fazer um balanço das urnas e tratar dos próximos passos políticos do grupo. O encontro, realizado no Camaçari Plaza Hotel, também serviu para projetar a atuação dos parlamentares eleitos e discutir o segundo turno presidencial.
A disputa nacional entrou diretamente no discurso dos governistas. Caetano reforçou o apoio à reeleição do presidente Lula (PT), enquanto integrantes do grupo fizeram críticas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). O posicionamento ocorre no mesmo momento em que ACM Neto (União), principal liderança da oposição baiana, anunciou apoio a Flávio no segundo turno e prometeu mobilizar suas bases no Estado em favor do presidenciável.
