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Trump passa o dia sem comentar eleição, e Milei comemora desempenho de Flávio

Trump passa o dia sem comentar eleição, e Milei comemora desempenho de Flávio

Por Folhapress

04/10/2026 às 21:51

Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

Imagem de Trump passa o dia sem comentar eleição, e Milei comemora desempenho de Flávio

Postura recente dos EUA na América Latina e casos em outros países amplificam receios de intervenção

Em meio a temores de que a eleição seja alvo de interferência externa, o primeiro turno terminou neste domingo (4) sem que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou seus aliados mais próximos tenham feito comentários em público sobre o pleito no Brasil.

Até a noite deste domingo, após a confirmação de que Flávio Bolsonaro (PL) disputará o segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente americano, que apoiou abertamente o senador anteriormente, não tinha se pronunciado sobre as eleições brasileiras.

O receio de que autoridades internacionais, em particular ligadas a Washington, poderiam interferir abertamente no pleito movimentou tanto a campanha de Lula como a de Flávio.

Se de um lado o petista reforçou em seu discurso a defesa da soberania diante de pressões, ameaças de sanções e tarifas aplicadas por Trump, de outro aliados do senador têm insinuado que a ameaça de interferência externa pode servir de justificativa para um suposto golpe ou interferência judicial que impeça eventual vitória de Flávio.

Os temores foram amplificados desde que as representações diplomáticas dos EUA e da Austrália no Brasil anunciaram o fechamento na sexta-feira (2) por "questões de segurança". A Polícia Federal não encontrou evidências de suposta ameaça de bomba que teria sido feita pelas redes sociais.

Se Trump silenciou, outro importante aliado de Flávio, o presidente da Argentina, Javier Milei, lotou suas redes sociais com ataques a Lula e manifestações de apoio ao senador. O sempre movimentado perfil do ultraliberal no Instagram republicou ao menos cinco conteúdos sobre as eleições brasileiras.

Um deles colocava lado a lado uma foto do petista preso durante a ditadura militar e outra do argentino como goleiro na juventude. "O passado de Lula/O passado de Milei", dizia a publicação. Outro trazia uma foto de Jair Bolsonaro com os dizeres: "Hoje é por ele".

No X, ele compartilhou um vídeo de Flávio indo votar neste domingo. "Fenômeno local", comentou. Na gravação, feita pela LN+, o candidato disse que convidaria Milei para ir ao Brasil.

Após os resultados, Milei voltou a se pronunciar. "A liberdade avança no Brasil", excreveu o argentino no X. "Parabéns, querido amigo Flávio Bolsonaro, por esta eleição histórica contra o comunista Lula. O continente americano é de cidadãos que querem viver em liberdade", continuou. "Espero que em breve possamos começar a trabalhar juntos para que a Argentina e o Brasil continuem sendo grandes parceiros comerciais, culturais e políticos."

Em seu Instagram, o ultraliberal publicou ainda o mapa da América do Sul quase com o Brasil pintado de azul, assim como quase os países vizinhos atualmente governados pela direita. "Eu vim despertar os leões, e os leões despertaram", diz o texto que acompanha a imagem.

Milei foi o mais vocal apoiador de Flávio na América Latina, que elegeu políticos de direita em série no último ano. No final de julho, o argentino foi ao evento de lançamento de campanha de Flávio no Brasil e chamou Lula de "lixo socialista". A ofensa abriu uma crise que desembocou em um rebaixamento inédito das relações bilaterais entre Brasil e Argentina.

O governo Trump abandonou a cautela de governos anteriores em Washington e tem manifestado apoio a candidatos ideologicamente alinhados, em particular na América Latina, e, em alguns casos, participado diretamente da campanha.

Em 2025, por exemplo, declarou apoio a Milei em pleito legislativo importante para a agenda do ultraliberal. Em novembro daquele ano, apoiou o hondurenho Nasry Asfura, e em junho deste ano, apoiou publicamente o colombiano Abelardo de la Espriella.

Em reunião à margem da Assembleia Geral da ONU, o republicano também se reuniu com líderes de direita da América Latina que integram o Escudo das Américas, iniciativa de cooperação em segurança criada pelo governo Trump.

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