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Mulheres conservadoras de direita reúnem 7,5 milhões de votos e apostam nas redes para ampliar sua influência política
Mulheres conservadoras de direita reúnem 7,5 milhões de votos e apostam nas redes para ampliar sua influência política
Mulheres conservadoras se elegem impulsionadas pelo engajamento nas redes sociais
Por Isabella Candido/Folhapress
12/10/2026 às 18:20
Atualizado em 12/10/2026 às 18:22
Foto: Divulgação/PL/Arquivo
Bia Kicis e Michelle Bolsonaro fora eleitas senadoras
Com pautas conservadoras, antifeministas e redes sociais superengajadas, uma nova leva de mulheres conquistou espaço no Senado e na Câmara nas eleições de 2026. Somando mais de 7,5 milhões de votos, elas mostram como a influência digital se tornou uma das maiores forças eleitorais do Brasil.
Algumas em seu primeiro mandato, outras reeleitas, essas mulheres têm em comum uma comunicação efetiva com seus eleitores por meio das redes sociais, com linguagem própria e conteúdos que geram engajamento. O Instagram se destaca como uma das principais plataformas para essa aproximação, permitindo que elas ampliem seu alcance e fortaleçam sua presença política.
Entre os nomes que se destacam nesse campo político estão Ana Campagnolo, eleita deputada estadual por Santa Catarina com 387.523 votos, e Eduarda Campopiano, por São Paulo, com 1.956.238 votos. Na Câmara dos Deputados, Julia Zanatta recebeu 560.223 votos, e Chris Tonietto, 81.966. Já Michelle Bolsonaro somou 938.496 votos, e Bia Kicis, 886.616.
A deputada estadual Índia Armelau (PL), reeleita para seu segundo mandato com 248.504 votos, é uma das provas desse fenômeno. Ela se tornou a candidata mais votada do estado do Rio de Janeiro, além de ser a mulher mais votada da história da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Com um perfil ativo no Instagram, a deputada cresceu muito desde sua primeira eleição, em 2022, quando recebeu 57.582 votos, e atribui esse avanço expressivo à sua atuação em redes como Instagram e WhatsApp. Ela conta que, na primeira disputa, a expectativa era de cerca de 20 mil votos. Já na segunda, mesmo após quatro anos de mandato, a maior aposta entre seus apoiadores era de 114 mil. O resultado ultrapassou os 248 mil votos.
"Isso mostra que até hoje estamos tentando compreender a dimensão do alcance das redes sociais, principalmente quando existe alguém que se posiciona com firmeza e apresenta trabalho", afirma.
Amanda Brandão Armelau, seu nome de registro, nasceu em Manaus, no Amazonas, e é ex-nadadora profissional. Tem como principais bandeiras a defesa da família e dos direitos das pessoas com deficiência, além do fomento ao esporte e da melhoria da segurança pública. Embora crítica ao feminismo, a deputada afirma defender os direitos das mulheres.
Entre suas pautas, destacou-se a apresentação de um projeto polêmico que previa a regulamentação do uso de banheiros e vestiários neutros em ambientes públicos e privados de uso coletivo, destinados a pessoas trans ou não binárias. Também é de sua autoria a Lei nº 10.260/2023, que instituiu um programa estadual de defesa pessoal para mulheres vítimas ou ameaçadas de violência doméstica.
Índia Armelau começou sua atuação nas redes sociais durante o governo de Jair Bolsonaro. Ela relata que passou a acompanhar mais de perto os acontecimentos políticos durante as gestões de Bolsonaro e Wilson Witzel e, a partir disso, começou a se posicionar publicamente. O incentivo de pessoas que acompanhavam seu conteúdo nas redes, assim como o apoio de outros parlamentares, também contribuiu para que decidisse se candidatar.
"Naquele período, comecei a utilizar as redes sociais para defender o presidente Jair Bolsonaro, combater notícias falsas e questionar as ações do governo Witzel, principalmente em relação às denúncias de desvios de recursos públicos e às irregularidades na construção dos hospitais", relata. Foi assim que ganhou projeção, apresentando seus posicionamentos e alcançando pessoas que se identificavam com aquilo que defendia.
Hoje, com 947 mil seguidores e quase 4 mil publicações no Instagram, a deputada se mantém ativa nas redes sociais. Ela compartilha sua rotina política nos stories e publica vídeos ao lado de aliados, com críticas à oposição e reações a notícias relacionadas à esquerda. Alguns de seus vídeos ultrapassam 2 milhões de visualizações. Em suas publicações, aparece fazendo reacts e comentando temas políticos atuais.
"Acredito que a minha forma de me comunicar, a proximidade com os seguidores e o compartilhamento do meu dia a dia fizeram muita diferença. Sempre procurei utilizar as redes sociais para mostrar quem eu sou, aquilo em que acredito e, principalmente, divulgar o trabalho que realizo na Assembleia Legislativa", afirma.
A antropóloga Letícia Cesarino, autora de O Mundo do Avesso: Verdade e Política na Era Digital, explica que o discurso antifeminista se tornou uma estratégia de engajamento político dentro da economia da atenção. A combinação de entretenimento, polêmica e mobilização pelo medo ajuda a conquistar visibilidade e votos. Nesse contexto, pautas relacionadas a gênero são apresentadas como ameaças à família e às crianças, criando um cenário de pânico moral que desperta indignação, mobiliza seguidores e amplia o alcance desses conteúdos nas redes sociais.
"É pela atenção que o ecossistema transforma o engajamento e a raiva em uma engrenagem que financia e viabiliza campanhas políticas. Essas pessoas ficam na cabeça das pessoas. É uma instrumentalização de uma infraestrutura que já existe, a da influência, só que você a canaliza para fins políticos. E isso tem dado muito certo desde 2018", afirma Cesarino.
Para a reeleita Chris Tonietto, o sucesso nas redes sociais está relacionado à autenticidade de sua comunicação. "Do jeito que falo é porque é assim que eu vivo, é assim que eu penso, é assim que eu sempre fui", afirma. Para a deputada federal, as pessoas estão cansadas de máscaras e discursos superficiais e vazios, e estão aprendendo a reconhecer quem é quem.
"Estão se conectando com quem sente a mesma dor, a mesma indignação e a mesma fé que elas. Isso é apenas o reflexo de milhões de brasileiros que finalmente se sentem representados por alguém que fala a língua deles de maneira autêntica, sem filtro, sem medo e sem ideologia", completa.
