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Lula diz que pesquisa que vale é a urna, e Flávio afirma estar confiante em vitória no 1º turno
Lula diz que pesquisa que vale é a urna, e Flávio afirma estar confiante em vitória no 1º turno
Renan Santos chama disputa de 'a mais bizarra' desde a redemocratização; Caiado afirma que só discute apoio após apuração
Por Caio Spechoto/Mariana Zylberkan/Yuri Eiras/Priscila Mengue/Aléxia Sousa/Gabriel Araújo/Cleomar Almeida/Marcelo Azevedo/Folhapress
04/10/2026 às 14:00
Foto: Reprodução
Lula e Flávio Bolsonaro
Os dois líderes nas pesquisas para a Presidência trocaram críticas ao votar neste domingo (4). O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, disse estar confiante na vitória e repetiu que o país escolhe entre a democracia e a barbárie. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pesquisas internas do partido indicam transferência de votos de outros candidatos para ele.
Flávio chegou às 8h05 à escola municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro. "Tem um movimento claro de voto de revolta já nesse primeiro turno. Quem votaria em outros candidatos já está votando em Flávio Bolsonaro nesse primeiro turno", afirmou após votar.
O senador atacou Lula ao citar impostos e o preço dos alimentos. Também disse que o petista, se reeleito, vai perseguir a imprensa, sem detalhar o motivo da afirmação.
"O Brasil precisa de mudança e a única forma de mudar é com Flávio Bolsonaro. Caso contrário o atual presidente da República vai indicar mais quatro ministros da Suprema Corte, a imprensa será perseguida".
Flávio estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e foi saudado por uma dezena de apoiadores que o aguardavam na rua.
Lula votou por volta das 9h10 na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo (SP). Estava acompanhado de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista, Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado, e Alexandre Padilha (PT).
O presidente fez ataques indiretos ao adversário. "O que está em jogo é a definição de um projeto de Brasil. O povo vai ter que escolher entre o fortalecimento da democracia e a barbárie", declarou. "O Brasil não vai para frente com miliciano. O Brasil não vai para frente com a ideia que se fez com o Banco Master".
Lula minimizou as pesquisas mais recentes, que mostraram oscilações positivas de Flávio, e disse que o que vale é o resultado das urnas. Afirmou ainda que o país definirá hoje uma nova página de sua história e que espera um comparecimento grande.
Na saída, Lula posou para fotos com apoiadores, que gritavam "é no primeiro turno". O candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), também os cumprimentou. O presidente deve acompanhar a apuração em casa, em São Paulo, e depois encontrar aliados em um hotel na capital.
Entre os demais candidatos, Renan Santos (Missão) foi o mais duro contra Flávio. Ele votou pela manhã em escola pública no distrito de Socorro, na zona sul de São Paulo, e chamou a disputa deste ano de "a mais bizarra" e "a mais estranha" desde a redemocratização.
O candidato disse ter trabalhado contra o voto útil em Flávio para derrotar Lula, mas reconheceu que esse movimento pode afetar seu desempenho. "É muito triste que o país vote em um cara completamente desqualificado, covarde, burro, como o Flávio. Isso é um sintoma também de que o país está no seu pior momento politicamente", afirmou.
Para Renan, os candidatos que lideram as pesquisas estão envolvidos em escândalos de corrupção e temem um outsider como ele. "Uma eleição que não tem sentido. Não houve debate, não houve discussão, ninguém sabe as propostas dos candidatos que lideraram as pesquisas", disse. "Foi uma eleição vazia. E foi construída para ser vazia".
Ronaldo Caiado (PSD) votou no Colégio Estadual Zizi Perillo Caiado, em Nova Crixás (GO). Disse ter concluído o primeiro turno com propostas para o combate à violência, a redução de juros e a correção de rumos da economia.
"Tudo aquilo que nós nos propusemos a fazer, nós fizemos no Brasil. Nós levamos o nosso programa de governo, mostrando exatamente uma candidatura limpa, de mãos limpas, com coragem para poder transformar o país", declarou. Sobre um eventual apoio no segundo turno, afirmou que só se posicionará após o fim da apuração. "Vamos esperar".
Romeu Zema (Novo) votou por volta das 9h06 na Escola Estadual Delfim Moreira, em Araxá (MG), e entrou na cabine com o celular. Questionado na saída, disse que ninguém o alertou para deixar o aparelho com os mesários.
"Eu ando com o celular o dia todo, né? Ele é quase que como se fosse um dedo. E ninguém me lembrou ali e eu fui votar normalmente", afirmou. O candidato negou ter fotografado a urna e disse que levou os números dos candidatos anotados em papel.
Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), é proibido portar celular na cabine, mesmo desligado, para preservar o sigilo do voto. O TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais) afirmou que vai apurar o caso.
"Os mesários foram devidamente instruídos para evitar isso. Se aconteceu, foi uma sucessão de equívocos, para dizer o mínimo", disse o presidente do tribunal, Carlos Henrique Perpétuo Braga. Segundo ele, a conduta pode caracterizar crime eleitoral. "Isso pode inclusive gerar pena de detenção".
