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Lula diz a aliados que Paes se omitiu no Rio e reclama de falta de apoio na disputa nacional
Lula diz a aliados que Paes se omitiu no Rio e reclama de falta de apoio na disputa nacional
Na eleição estadual, ex-prefeito selou alianças ao centro sem ataque frontal ao bolsonarismo
Por Catia Seabra/Folhapress
06/10/2026 às 17:45
Atualizado em 06/10/2026 às 17:42
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo
O presidente Lula (PT)
O presidente Lula (PT) reclamou, na noite da segunda-feira (5), da falta de apoio do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) à sua candidatura. A queixa foi feita um dia depois de o petista terminar o primeiro turno das eleições presidenciais atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Candidato ao Governo do Rio, Paes evitou fazer uma defesa mais enfática do presidente, na opinião de aliados de Lula.
Na disputa estadual, o ex-prefeito selou alianças ao centro, sem um ataque frontal ao bolsonarismo.
Segundo relatos feitos à Folha, Lula disse que Paes se omitiu durante a disputa. O petista usou ainda um dito popular para resumir a situação: "quem tudo quer nada tem".
A reclamação foi feita durante reunião de Lula com dezenas de aliados para reorganizar a campanha. Uma parte do encontro, com discurso de Lula, foi transmitida na internet —a ideia era que o petista fizesse uma fala rápida a tempo de seus recados serem reproduzidos nos telejornais noturnos. As falas dos aliados, bem como outras intervenções do presidente, não tiveram transmissão.
Segundo um participante, Lula lamentou a estratégia de Paes durante a intervenção de Benedita da Silva (PT-RJ), derrotada na disputa ao Senado.
Paes chegou em segundo lugar no pleito para governador do Rio, atrás do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa Rio de Janeiro), o bolsonarista Douglas Ruas (PL).
No estado do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro recebeu 53,01% dos votos válidos no domingo (4). Lula marcou 39,41%.
No dia seguinte à eleição, a defesa do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) protocolou no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um pedido de desistência do recurso pelo qual ele pretendia validar seu registro de candidatura para o governo do Rio.
A manifestação amplia a brecha para que Ruas seja declarado governador eleito, já que a anulação de fato dos votos de Garotinho garante mais de 50% dos votos válidos ao primeiro colocado na eleição.
Paes, por sua vez, publicou um vídeo em suas redes sociais pedindo mobilização de seus apoiadores para a disputa do segundo turno, sem mencionar o imbróglio jurídico.
Horas depois, chamou Garotinho de "candidato laranja".
"O próprio Garotinho decidiu se declarar inelegível no TSE. Para os votos dele serem anulados para que o Douglas Ruas seja declarado vencedor. Ou seja, impedir que o segundo turno aconteça, uma clara interferência no processo eleitoral. Estão tentando tirar o seu poder de dizer quem vai ser ou não o governador e transferir para o Garotinho esse poder", afirmou.
Douglas Ruas obteve 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Paes. Garotinho obteve 3,17%, mas seus votos foram considerados anulados sub judice, categoria na qual são incluídos os candidatos que tiveram o registro de candidatura indeferido, mas aguardam a análise de recurso.
