Ivana Bastos vê ‘oportunismo’ em apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro
Por Carine Andrade, Política Livre
08/10/2026 às 14:26
Foto: Política Livre
A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Ivana Bastos (PSD)
A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Ivana Bastos (PSD), classificou como “oportunismo” a decisão do candidato derrotado nas eleições para o governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A declaração foi dada nesta quinta-feira (8), durante entrevista coletiva na Assembleia, ao comentar a mudança de posicionamento do ex-prefeito de Salvador em relação ao candidato do PL.
A crítica de Ivana leva em consideração a postura adotada por Neto durante o primeiro turno, quando o então candidato reagiu judicialmente a publicações de parlamentares do grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT) que o associavam à família Bolsonaro. Em maio, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a retirada de conteúdos publicados por Lídice da Mata (PSB), Afonso Florence (PT) e Waldenor Pereira (PT) que relacionavam Neto a Jair e Flávio Bolsonaro. Na ocasião, a defesa do União Brasil sustentou que Neto apoiava Ronaldo Caiado (PSD) para a Presidência e que não havia aliança formal com os Bolsonaro.
Com a definição do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro, no entanto, Neto anunciou na quarta-feira (7) apoio ao candidato do PL e afirmou que o União Brasil havia fechado questão em torno da candidatura. Também prometeu mobilizar seu grupo político na Bahia pela eleição de Flávio.
Para Ivana, a mudança expõe uma contradição em relação ao discurso adotado anteriormente. “Eu vejo total oportunismo”, afirmou.
Segundo a presidente da Assembleia, durante o primeiro turno havia interesse político em evitar a associação entre Neto e o bolsonarismo, mas o resultado das urnas e a definição do segundo turno teriam alterado essa estratégia.
“Porque no primeiro turno era muito positivo você colar Neto com Lula. Não colou, o resultado está aí, não colou”, declarou.
A deputada também afirmou que, na sua avaliação, o posicionamento político do grupo de Neto já era conhecido antes mesmo da definição do segundo turno. Para ela, a escolha por Flávio não deveria ter sido tratada como uma surpresa.
“E a Bahia inteira sabia qual era a posição, qual era a posição que eles iam militar. Eles não eram Lula, queriam estar com Flávio Bolsonaro”, disse.
Ivana também defendeu que os políticos assumam de forma clara suas alianças e preferências eleitorais, sem tentar preservar uma posição intermediária diante da polarização nacional.
“Eu acho que você precisa dizer o que é. ‘Olha, eu sou fulano, eu marcho com fulano’. Eu acho que a gente precisa ser muito clara. Acho que em política não tem meio termo. Você é ou não é?”, afirmou.
