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Governo dos EUA faz operação em casa de deputada democrata muçulmana crítica de Trump
Governo dos EUA faz operação em casa de deputada democrata muçulmana crítica de Trump
Investigação envolveria suspeitas de fraude imigratória, segundo fonte
Por Folhapress
12/10/2026 às 18:40
Foto: Reprodução
A deputada democrata Ilhan Omar
Autoridades dos Estados Unidos realizaram na madrugada desta segunda-feira (12) uma operação de busca na casa da deputada democrata Ilhan Omar, na região de Washington. Representante do estado de Minnesota e crítica de Donald Trump, a congressista tem sido alvo de ataques do presidente.
Segundo o Departamento de Justiça, a ação faz parte de uma investigação em andamento.
Uma pessoa familiarizada com o caso afirmou que a apuração envolve suspeitas de fraude imigratória. Parte da investigação diz respeito a documentos de imigração da parlamentar, nascida na Somália, que foram preenchidos pelo seu pai, já morto, quando ela era criança.
Em uma publicação nas redes sociais, Omar escreveu que o governo está sendo instrumentalizado para perseguir um inimigo político do presidente. "Há dez anos, Trump me ataca com mentiras infundadas e campanhas difamatórias", afirmou. "Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não vou me calar".
Outros democratas acusaram Trump e seu governo de abuso de poder. Omar, 44, busca um quinto mandato na Câmara dos EUA nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
Ao anunciar a operação, um porta-voz do Departamento de Justiça afirmou que agentes da Investigação de Segurança Interna cumpriram um mandado de busca autorizado pela Justiça na região de Washington. O órgão integra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), a agência de imigração americana.
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, indicado por Trump para o cargo, havia dito no mês passado que "algo vai acontecer" na apuração sobre a entrada da família de Omar nos EUA. "Se conseguirmos provar que você não deveria estar aqui desde o início, vamos deportá-la", afirmou, na ocasião, ao podcaster conservador Benny Johnson.
A operação desta segunda-feira ocorreu pouco mais de três semanas antes das eleições de meio de mandato, nas quais o Partido Republicano tenta manter o controle do Congresso. Uma das principais representantes da ala progressista do Partido Democrata, Omar representa um distrito eleitoral considerado seguro para a legenda. Em 2024, foi reeleita com uma vantagem de 50 pontos percentuais.
Em uma declaração conjunta, o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, e outros integrantes da liderança do partido na Casa afirmaram que a operação era "profundamente perturbadora" e levantava sérias questões sobre a instrumentalização do governo federal contra os adversários de Trump.
O comunicado diz que os republicanos têm perseguido Omar de forma implacável. Segundo os democratas, a "máquina de deportações em massa de Trump chegou à casa de uma integrante eleita do Congresso e de sua família". O texto promete cobrar responsabilização pelo que chama de abuso de poder.
Democratas de Minnesota também condenaram a operação.
"Os americanos estão vendo isso pelo que realmente é", escreveu nas redes sociais o governador democrata de Minnesota, Tim Walz. "O presidente Trump está abusando de seu poder para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição".
As normas do Departamento de Justiça proíbem promotores e agentes federais de programar ações para influenciar o resultado de eleições ou beneficiar candidatos e partidos. Historicamente, o órgão evita tomar medidas investigativas contra candidatos nos cerca de 60 dias anteriores a uma votação.
Durante o segundo mandato de Trump, o Departamento de Justiça investigou e apresentou acusações contra diversos adversários políticos do presidente.
A pasta apresentou acusações contra o ex-diretor do FBI James Comey, a procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, e John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump que posteriormente se tornou crítico do presidente. Também investigou parlamentares democratas, o senador democrata Adam Schiff e Lisa Cook, diretora do Fed.
'OBSESSÃO ASSUSTADORA'
Omar é alvo constante de ataques de Trump, que retratou a comunidade somali-americana como uma ameaça a Minnesota em meio a uma onda de declarações contra somalis e muçulmanos. A deputada define a atenção do presidente como uma "obsessão doentia e assustadora".
Na semana passada, Trump chamou Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan e muçulmano, de "extremista radical" e "simpatizante de terroristas", ao mesmo tempo em que declarou apoio ao rival republicano dele, Mike Rogers.
Defensores dos direitos civis criticam a retórica de Trump contra minorias e imigrantes, inclusive quando ele chamou os somalis de "lixo".
Em fevereiro, o presidente afirmou que Omar e a deputada democrata Rashida Tlaib, de Michigan, também muçulmana, deveriam ser "internadas em instituições" e mandadas de volta para "o lugar de onde vieram". As duas haviam criticado Trump durante o discurso sobre o Estado da União, no qual ele exaltou a linha dura de seu governo contra a imigração e as operações de fiscalização migratória.
Omar diz que ela e a família receberam ameaças de morte, que atribui à "retórica política de ódio", sobretudo às declarações de Trump.
No mês passado, um homem de Minnesota que jogou vinagre em Omar foi condenado a um ano e dois meses de prisão, após se declarar culpado de agredir uma autoridade federal. Anthony James Kazmierczak admitiu ter atacado a deputada por discordar de suas posições políticas progressistas.
