/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio; Bolsa recua após alta histórica

Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio; Bolsa recua após alta histórica

Ibovespa devolve parte dos ganhos recordes com realização de lucros

Por Júlia Galvão/Folhapress

06/10/2026 às 18:00

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio; Bolsa recua após alta histórica

Moeda americana fechou em queda nesta terça-feira (6), recuando 0,49%, a R$ 4,977

O dólar fechou em queda nesta terça-feira (6), recuando 0,49%, a R$ 4,977, abaixo dos R$ 5. A última vez que a moeda havia encerrado uma sessão abaixo desse nível foi em 18 de maio deste ano.

A continuidade da queda veio após o recuo de 4,11% registrado na véspera (5), primeiro pregão após o primeiro turno das eleições, quando a moeda encerrou a R$ 5,001, na maior queda intradiária desde 2018, quando recuou 5,50% em uma única sessão.

O movimento ocorreu com os investidores ainda repercutindo o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A perda de força do dólar também foi observada em relação a outras moedas. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de seis moedas fortes, recuou 0,31% nesta terça.

A Bolsa fechou em queda de 0,54%, aos 205.783 pontos, em um movimento de realização de lucros após a forte valorização da véspera. Na segunda-feira, o Ibovespa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos, no maior patamar da história, em termos reais e nominais.

Para Matheus Spiess, o movimento desta terça é uma correção natural após a forte alta da véspera, com investidores realizando parte dos lucros e ajustando posições. Segundo ele, o mercado deve continuar reagindo às pesquisas eleitorais e ao noticiário político até o segundo turno, em um movimento que tende a alternar altas e correções.

Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, também avalia que o recuo é um movimento de ajuste após a valorização expressiva da segunda-feira. Segundo ele, o mercado também deve acompanhar a evolução das campanhas e as alianças políticas para o segundo turno, que podem continuar influenciando os preços dos ativos brasileiros.

Entre as ações que pressionaram o índice estiveram as do Banco do Brasil, que fecharam em queda de 6,57%, a R$ 24,60. O movimento ocorreu após o J.P. Morgan reduzir a recomendação dos papéis do banco de Neutral (neutro) para Underweight (abaixo da média), com preço-alvo de R$ 23 para o fim de 2027. O valor representa uma potencial queda de 13% em relação ao fechamento de segunda-feira, quando a ação encerrou a R$ 26,33.

Entre os motivos apontados pelo banco está uma perspectiva mais difícil para a qualidade dos ativos e a inadimplência no agronegócio, diante dos dados de julho e agosto, dos riscos climáticos remanescentes do El Niño e da pressão do câmbio.

O J.P. Morgan também avalia que a queda dos juros pode pressionar a margem financeira líquida do Banco do Brasil. Embora taxas menores favoreçam a inadimplência de forma geral, o banco tem baixo custo de captação e excesso de liquidez em sua base de depósitos, o que faz com que se beneficie proporcionalmente mais de um cenário de juros elevados.

Os juros futuros também continuaram repercutindo o resultado eleitoral, após registrarem forte baixa na segunda-feira. Às 17h09, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,590%, queda de 0,07 ponto percentual, enquanto a taxa para janeiro de 2035 estava em 12,710%, recuo de 0,08 ponto percentual.

Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, diz que a abertura inicialmente positiva desta terça mostrou a continuidade da reprecificação dos ativos brasileiros, mas em intensidade menor após o movimento excepcional da véspera.

"Na minha leitura, o ponto mais importante agora é que o mercado começa a sair da reação imediata ao resultado eleitoral e passa a tentar precificar o que pode vir depois. A composição do Congresso, a sinalização fiscal e, principalmente, os nomes e propostas econômicas que surgirem ao longo do segundo turno devem ganhar cada vez mais peso", afirma.

Segundo Mendes, depois de uma valorização tão forte em um único pregão, é natural haver realização de lucros e volatilidade. O ambiente externo também ajudou nesta terça, com queda dos rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos e do petróleo. A baixa da commodity, porém, pressionou as ações da Petrobras, que fecharam em queda de 2,78%, a R$ 53,82, contribuindo para o recuo da Bolsa.

A reação dos mercados ao resultado do primeiro turno refletiu a expectativa de alternância de poder e de uma condução fiscal mais sólida, na avaliação de investidores. Esse cenário reduz a percepção de risco sobre os ativos brasileiros e aumenta o otimismo entre analistas.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a avaliação predominante entre os investidores é de uma possível mudança em direção a uma política mais à direita e potencialmente mais alinhada a uma agenda econômica considerada favorável pelo mercado. Entre os pontos destacados estão menor intervenção do Estado na economia, maior protagonismo da iniciativa privada e atenção à questão fiscal.

Nesse cenário, os ativos brasileiros passam a incorporar a expectativa de que o novo Congresso e o novo Senado, além de uma eventual mudança no Executivo, possam favorecer pautas econômicas mais bem recebidas pelo mercado. Essa perspectiva ajuda a explicar tanto a forte alta da Bolsa quanto a valorização do real observadas na véspera.

No exterior, os investidores voltaram a acompanhar os preços do petróleo, que, às 17h11, avançavam 0,72%, a US$ 101, diante de novos ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a aeroportos da Arábia Saudita.

Na noite de segunda-feira (no Brasil), os aeroportos de Jazan e Najran foram bombardeados, deixando três pessoas feridas, segundo a autoridade-geral de Aviação Civil do país. Os houthis assumiram a autoria dos ataques.

O grupo iemenita anunciou nesta terça-feira ter assumido o controle total do país, incluindo áreas estratégicas no Mar Vermelho. O governo do Iêmen contesta a informação e afirma ter retomado o domínio de parte do território, como o estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico.

Enquanto os ataques dos houthis prosseguem, o Qatar afirmou que Estados Unidos e Irã ainda mantêm negociações para tentar encerrar o conflito.

As Bolsas americanas fecharam em alta, acompanhando a queda dos rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos. O Dow Jones avançou 0,49%, o S&P 500 subiu 0,59% e o Nasdaq teve alta de 0,45%.

O rendimento do título de dez anos dos Estados Unidos chegou a 5,323% no maior nível do dia, queda de 0,44%. O título de 30 anos atingiu 5,680%, com recuo de 0,37% no rendimento.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.