Datafolha: Lula é rejeitado por 46%, e Flávio Bolsonaro, por 44%
Rivais na disputa pela Presidência no segundo turno mantém a polarização acirrada em 2022 viva
Por Igor Gielow/Folhapress
15/10/2026 às 19:15
Atualizado em 15/10/2026 às 21:34
Foto: Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado
Lula e Flávio Bolsonaro
A polarização brasileira segue viva e bem neste segundo turno da eleição presidencial de 2026. Segundo o Datafolha, 46% dos eleitores afirmam não votar em Lula (PT) de forma alguma, ante 44% que declaram o mesmo sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Há uma semana, na primeira pesquisa feita pelo instituto após os rivais passarem pelo primeiro turno com a menor diferença da história, em favor do filho de Jair Bolsonaro, o presidente marcava 46% de rejeição e o senador, 43%, um empate técnico.
A margem de erro do levantamento, feito sob encomenda da Folha entre terça-feira (13) e esta quinta (15), é de dois pontos para mais ou menos. Foram ouvidas 2.520 pessoas, e a pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-00466/2026.
A polarização marca as eleições brasileiras desde a redemocratização, mas com gradações.
De 1994 a 2014, sempre houve um petista contra um tucano na disputa principal, mas só houve segundo turno nas eleições vencidas no período por Lula (2002 e 2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014). Fernando Henrique Cardoso (PSDB) triunfou na primeira rodada em 1994 e 1998.
A vitória final de Dilma, por uma margem mínima, já ocorreu sob o signo do acirramento a partir dos protestos de 2013. Com o impeachment de 2016 e o desmonte da classe política pela Operação Lava Jato, emergiu no lugar do tucanato Bolsonaro.
Ele também foi ao segundo turno contra um petista, Fernando Haddad, mas venceu com mais folga em 2018. Já em 2022, fez uma corrida de recuperação contra um Lula que havia deixado a cadeia, mas ao fim perdeu por 1,8 ponto percentual.
Politicamente, a polarização sempre foi alimentada por petistas, principais usuários do lema "nós contra eles" no passado, e bolsonaristas, em particular com a descoberta da tentativa de golpe do pai de Flávio no fim de 2022.
Com sinais trocados, ambos os grupos precisavam do rival para manter a relevância e fechar as portas para eventuais alternativas. O resultado pífio dos quatro candidatos de direita no primeiro turno refletiu isso.
Neste segundo turno, o espaço cativo da campanha negativa na propaganda eleitoral gratuita mantém a chama da polarização acesa.
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