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Bolsa fecha com novo recorde intradiário e dólar fica abaixo de R$ 5 após Datafolha mostrar Flávio à frente de Lula

Bolsa fecha com novo recorde intradiário e dólar fica abaixo de R$ 5 após Datafolha mostrar Flávio à frente de Lula

Pesquisa mostra Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula no segundo turno

Por Júlia Galvão/Folhapress

09/10/2026 às 18:15

Foto: Reprodução

Imagem de Bolsa fecha com novo recorde intradiário e dólar fica abaixo de R$ 5 após Datafolha mostrar Flávio à frente de Lula

Bolsa de Valores

A Bolsa brasileira subiu 1,38% nesta sexta-feira (9), aos 209.066 pontos, e renovou o recorde intradiário ao atingir a máxima de 209.713 pontos.

O recorde intradiário anterior havia sido registrado na segunda-feira (5), quando o índice chegou aos 209.605 pontos, no primeiro pregão após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno das eleições presidenciais à frente de Lula (PT).

A alta desta sexta-feira também refletiu a repercussão do cenário eleitoral. Na véspera (8), a primeira pesquisa Datafolha após a definição da disputa de segundo turno mostrou Flávio com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são usados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o resultado final da eleição.

O dólar fechou em queda de 0,77%, cotado a R$ 4,985. O movimento também refletiu o cenário eleitoral e o maior apetite por risco dos investidores, segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. De acordo com ela, a moeda também passou por uma correção após atingir níveis mais altos nas semanas anteriores. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis moedas fortes, subiu 0,11%.

Para Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, a Bolsa subiu principalmente com a continuidade do chamado trade eleitoral, estratégia de investimento baseada nas expectativas em torno da eleição. Segundo ele, a pesquisa divulgada na quinta-feira, que mostrou vantagem de Flávio sobre Lula, reforçou as apostas dos investidores em um cenário fiscal mais favorável nos próximos quatro anos.

O resultado é visto com otimismo por parte do mercado, que associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à perspectiva de uma política fiscal mais restritiva. A expectativa é que uma mudança de governo resulte em maior controle dos gastos públicos e medidas para melhorar a trajetória das contas públicas, o que poderia favorecer os ativos brasileiros.

Nesta sexta, os investidores também acompanharam a divulgação dos dados de inflação pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no país, subiu 0,82% em setembro, após registrar deflação de 0,32% em agosto.

O resultado ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,76%, segundo a agência Bloomberg. A alta foi a maior para meses de setembro em cinco anos, desde 2021, quando o índice avançou 1,16%.

Apesar da inflação acima do esperado, a Bolsa manteve a trajetória de alta. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o resultado do IPCA poderia ter aumentado a cautela dos investidores e limitado o apetite por risco às vésperas do feriado que manterá a B3 fechada na segunda-feira (12), mas esse efeito não prevaleceu no pregão.

O dado, porém, reforça a preocupação com a trajetória dos preços e pode reduzir o espaço para cortes da Selic, especialmente se as pressões inflacionárias se mostrarem disseminadas e persistentes.

Christian Meduna, do Banco BV, afirma que o IPCA ficou quatro pontos-base acima da expectativa da instituição, principalmente por causa de variações mais fortes do que o previsto nos preços dos combustíveis, como gasolina e etanol. Outros itens também surpreenderam para cima e para baixo, compensando parte dessas diferenças.

Na alimentação, outro grupo acompanhado de perto pela instituição, a alta ficou abaixo do esperado. Segundo Meduna, o movimento foi influenciado principalmente pelas carnes, tanto bovinas quanto de frango, além dos ovos e de outros alimentos proteicos, cujos preços subiram menos do que o previsto.

Em Wall Street, as bolsas fecharam em alta nesta sexta-feira. O Dow Jones subiu 0,83%, o S&P 500 avançou 0,63% e o Nasdaq teve alta de 0,64%.

Segundo Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, a recuperação ocorreu após uma sessão negativa para as ações de tecnologia na véspera, quando novos detalhes sobre a OpenAI frustraram investidores e pressionaram empresas ligadas à inteligência artificial.

A receita anualizada da OpenAI foi divulgada abaixo do que havia sido sinalizado anteriormente, aumentando as preocupações com as perspectivas do setor.

O cenário geopolítico também esteve no radar dos investidores. Segundo Rebecca Nossig, a perspectiva de recuo dos preços do petróleo ajudou a impulsionar as bolsas americanas, após a commodity acumular ganhos recentes. A acomodação dos preços reduz temporariamente os temores de uma nova pressão inflacionária global, favorecendo as ações.

Às 17h17, o Brent, referência internacional para os preços do petróleo, tinha queda de 0,50%, cotado a US$ 104 por barril.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, também ficaram no radar dos investidores, em meio às preocupações com a inflação e os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos. Às 17h19, o rendimento do Treasury de dez anos estava em 5,244% ao ano, alta de 0,17% ante o fechamento anterior.

Ainda no cenário externo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu uma nova investigação contra Lisa Cook, diretora do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), semanas antes das eleições para o Congresso. Ele convocou um comitê investigativo e determinou uma audiência sem precedentes na Casa Branca sobre as acusações de que ela teria prestado declarações falsas em pedidos de empréstimos hipotecários.

Trump tenta demitir Cook há mais de um ano, em uma ofensiva para ampliar seu controle sobre o banco central americano. O presidente acusa o Fed de se recusar a reduzir os juros por motivos políticos. Os advogados de Cook afirmaram nesta sexta-feira que uma audiência justa demonstraria a ausência de fundamento legal para demiti-la.

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