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Bolsa bate recorde e fecha aos 206 mil pontos com Flávio à frente no 1º turno das eleições; dólar despenca a R$ 5

Bolsa bate recorde e fecha aos 206 mil pontos com Flávio à frente no 1º turno das eleições; dólar despenca a R$ 5

Ibovespa atinge maiores marcas intradiária e de fechamento; juros futuros também recuam forte

Por Matheus dos Santos/Júlia Galvão/Folhapress

05/10/2026 às 18:15

Atualizado em 05/10/2026 às 18:47

Foto: Divulgação/Arquivo

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Bolsa de Valores

A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) no 1º turno das eleições alimentou o apetite por risco no mercado brasileiro nesta segunda-feira (5) e impulsionou os ativos domésticos a marcas históricas. A Bolsa disparou e fechou pela primeira vez na história acima dos 200 mil pontos, o dólar recuou a R$ 5 e os juros futuros despencaram.

A reação dos ativos refletiu a expectativa de alternância de poder na Presidência da República e de uma condução fiscal mais sólida, na avaliação dos investidores. Esse cenário reduz a percepção de risco e alimenta a euforia entre analistas.

O ex-senador Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula, atual presidente. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25. Nunca houve uma virada do segundo colocado na disputa pela Presidência da República no segundo turno.

A Bolsa fechou o pregão em alta de 7,70%, a 206.911 pontos, no maior patamar da história, em termos reais e nominais. Antes, o recorde nominal (sem considerar a inflação) de fechamento do Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, era de 198.557 pontos —atingido em abril de 2026 em meio à alta do petróleo.

Segundo levantamento da Elos Ayta, o Ibovespa também quebrou o recorde real. Considerando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), recorde de 20 de maio de 2008 de 73.516 pontos equivale a 201.263 pontos atuais, abaixo do fechamento desta segunda (5).

O avanço intradiário da Bolsa neste pregão foi o maior desde março de 2020, quando avançou 9,69% em um único dia. O Ibovespa atingiu 209.605 pontos, em alta de 9,10%, na máxima —recorde intradiário.

O dólar, por outro lado, encerrou o dia a 4,11%, a R$ 5,001, na maior queda intradiária desde 2018, quando recuou 5,50% em uma única sessão. Na mínima do dia, a moeda americana chegou a R$ 4,952, em queda de 5,06%.

O movimento de alta também repercutiu nos juros futuros, que recuam em bloco. A taxa DI de 2029 cede 114 pontos-base, a 12,61%, enquanto a taxa DI de 2028 cai 84 pontos-base, a 12,77%. As taxas dos DIs refletem as expectativas do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.

Quanto menores forem os juros, menos vantajoso fica o investimento em renda fixa, o que tende a aumentar o fluxo de aportes em ativos mais arriscados. O crédito tende a ficar mais barato, estimulando o consumo e investimentos e reduzindo o peso da dívida sobre as empresas. Com uma projeção menor de custos, aumenta o valor da companhia hoje.

Em 2018, quando Jair Bolsonaro terminou na liderança do 1º turno, a Bolsa avançou 4,57%, enquanto o dólar fechou em queda de 1,57%, a R$ 3,779. Em 2022, com Lula na liderança do 1º turno, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, avançou 5,54%, ante queda de 4,48% do dólar, que encerrou o dia a R$ 5,171.

Parte dos investidores avalia que uma eventual alternância de poder, com Flávio no lugar de Lula, poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida, reduzindo a percepção de risco em relação aos ativos brasileiros.

Com uma trajetória da dívida mais controlada, o governo poderia pagar um prêmio menor para se financiar, o que tende a aliviar a curva de juros. Taxas mais baixas, por sua vez, reduzem o custo do crédito para empresas e podem melhorar as perspectivas para os lucros, favorecendo a Bolsa.

Ações de bancos, petroleiras e varejistas subiram em bloco durante o pregão. Os papéis da Petrobras avançaram mais de 6%, enquanto as do BTG lideraram entre os bancos, com alta de 22%. O Magazine Luiza subiu 24%, uma das maiores valorizações do dia.

Para Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, o desempenho dos partidos de direita alimenta a expectativa de uma alternância de governo.

"As reações dos agentes do mercado financeiro desde agosto já revelavam uma preferência pela mudança, com a ideia de que Flávio Bolsonaro poderia ser mais conservador em sua política fiscal. Por isso, essa perspectiva hoje causa euforia, diminuindo a percepção de riscos fiscais dos ativos brasileiros e favorecendo o desempenho do real", afirma.

Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, diz que a composição do primeiro turno surpreendeu positivamente o mercado. "Analistas já trabalhavam com uma perspectiva positiva para uma eventual vitória de Flávio, mas não esperavam uma vantagem tão expressiva no primeiro turno. Por isso, a reação apareceu já na abertura, com alta do Ibovespa e valorização do real."

Entre os bancos, o JPMorgan estima que a expectativa de vitória de Flávio pode levar as ações brasileiras a uma alta de 10% a 11%, o dólar para entre R$ 4,95 e R$ 5 e provocar fechamento da curva de juros. Caso a vitória se confirme, projeta alta de 20% a 25% para o MSCI Brazil e dólar a R$ 4,80.

O BTG Pactual estima potencial de alta de 11% a 20% para as ações brasileiras caso Flávio vença. Já o Goldman Sachs é mais cauteloso e avalia que o segundo turno tende a ser polarizado.

O Morgan Stanley afirma que o resultado aproxima o mercado de seu cenário otimista e projeta dólar a R$ 4,50 no primeiro trimestre de 2027 e Ibovespa a 250 mil pontos caso seja apresentado um plano fiscal crível e o cenário global permaneça estável.

O UBS também vê espaço para valorização dos ativos caso o segundo turno confirme o resultado do primeiro e o mercado passe a precificar uma estabilização da dívida em relação ao PIB. O banco projeta dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,60 e potencial de alta superior a 30% para a Bolsa nos próximos meses.

O desempenho do ex-senador fluminense ocorreu em meio a uma onda de vitórias de candidatos alinhados ao bolsonarismo, com resultados favoráveis nos estados e no Senado que evidenciaram a força do PL e de seus aliados. Nomes da equipe econômica do candidato do PL são bem recebidos na Faria Lima, como a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e o ex-ministro de Minas e Energia na gestão de Jair Bolsonaro, Adolfo Sachsida.

Ainda há incerteza sobre a política econômica dos candidatos. Flávio Bolsonaro defende um ajuste fiscal sem mexer na Previdência ou na política de valorização do salário mínimo, enquanto o governo Lula propõe reduzir o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios e aprimorar o arcabouço fiscal. Economistas, porém, avaliam que um ajuste duradouro teria de atingir aposentadorias e benefícios sociais.

No governo de Jair Bolsonaro, pai do ex-senador, o teto de gastos foi furado em R$ 795 bilhões ao longo dos quatro anos de mandato. O montante envolveu a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Kamikaze, que autorizou uma série de benefícios acima do limite constitucional, como o aumento do Auxílio Brasil e a criação de auxílios para caminhoneiros e taxistas, em 2022.

O governo Lula prevê um déficit de R$ 67,3 bilhões neste ano, ou 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Com isso, a dívida bruta do governo geral, que atingiu o maior nível em cinco anos e está em 82,9% do PIB, deve subir ainda mais. Segundo analistas, estabilizar a dívida pública requer um ajuste nas contas de ao menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos.

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