Balança do agro mantém recorde, mas último trimestre é incógnita
De outubro a dezembro, presença da China deverá ser menor nas carnes e na soja
Por Mauro Zafalon/Folhapress
12/10/2026 às 19:00
Foto: Divulgação/Arquivo
Exportações de janeiro a setembro sobem para US$ 134 bi, 5,5% a mais do que 2025
A balança comercial do agronegócio caminha para mais uma temporada de recorde. De janeiro a setembro, o país obteve US$ 133,6 bilhões em divisas com as vendas externas do setor.
Esse valor supera em 5,5% o de igual período anterior e coloca o país próximo do recorde de US$ 169,2 bilhões de 2025. A média mensal das exportações de 2025 era de US$ 14,1 bilhões. A deste ano está em US$ 15,2 bilhões.
Mesmo com o crescimento das exportações, o agronegócio perde participação na balança comercial, uma vez que os outros setores da economia também melhoraram.
Nos nove primeiros meses deste ano, as exportações do agro representam 46,9% das receitas totais obtidas pelo país. Em igual período do ano passado, eram 49,1%, segundo dados do Ministério da Agricultura.
Os principais entraves ao crescimento da balança comercial neste último trimestre são a participação da China nos dois dos principais produtos da pauta de exportação brasileira: soja e carne bovina.
Por questões políticas, os chineses vêm elevando a compra de soja americana. Em setembro, compraram 12% a menos dos brasileiros do que em igual mês de 2025. Na carne bovina, devido ao esgotamento da cota sem a taxa extra de 55%, as compras chinesas foram 94% inferiores às de setembro de 2025.
O saldo da balança cresce mesmo com a perda de divisas por alguns setores importantes, como o do café e o do açúcar. O volume exportado de café deste ano é 5,5% inferior ao do ano passado, e os preços médios recuaram 6%.
O mesmo ocorre com o açúcar, que teve uma perda internacional de 18% nos preços médios, e o país exportou um volume 13% inferior ao de janeiro a setembro do ano passado.
A concentração das exportações aumenta, e os cinco principais produtos da lista da balança agora representam 81,4% das receitas obtidas pelo Brasil. Estão nessa lista complexo soja, carnes, produtos florestais, café e setor sucroalcooleiro.
Soja e carnes bovina e de frango, líderes do setor, tiveram aceleração dos preços neste ano, o que puxa ainda mais as receitas obtidas.
O complexo soja rendeu US$ 52,2 bilhões, influenciado pelo aumento das exportações do produto em grão, que somaram 100 milhões de toneladas até setembro. Além do aumento do volume, os preços médios foram a US$ 429 por tonelada, 8% a mais.
As carnes renderam US$ 26 bilhões no ano, segundo o Ministério da Agricultura, com evolução de 15% sobre janeiro a setembro de 2025. A carne bovina, com antecipações de compras da China e da União Europeia, devido a amarras na comercialização a partir de agora, e a volta dos Estados Unidos sem as taxas impostas no ano passado, rendeu US$ 14 bilhões neste ano, 14% a mais do que no anterior.
O setor de frutas também avança no mercado externo. As vendas externas já renderam US$ 1,18 bilhão, 18% a mais. Nos números de janeiro a setembro, a balança comercial do agronegócio registra vários recordes.
Entre eles estão o volume de 100 milhões de toneladas exportadas de soja; as receitas de US$ 13 bilhões nas exportações de carne bovina "in natura" e o volume de 20 milhões de toneladas de farelo de soja.
O Ministério da Agricultura aponta, ainda, o recorde tanto no volume como nas receitas de frango e de algodão. Carne suína e bovinos vivos tiveram recorde em quantidade, e celulose, em volume financeiro.
