Após queda brusca da Bolsa, analistas recomendam cautela aos investidores
Por Guilherme W. Almeida/Folhapress
31/10/2026 às 08:50
Foto: Divulgação B3
Bolsa de Valores
A reação dos investidores em ações à queda brusca da Bolsa brasileira não pode ser impulsiva. Esse é o consenso entre especialistas do mercado financeiro consultados pela Folha.
Segundo eles, a melhor atitude no momento é esperar as próximas sinalizações da taxa de juros, analisar a temporada de balanços do terceiro trimestre e seguir o próprio perfil de investimento. Vendas precipitadas tendem a ser inadequadas em momentos como esse, dizem os analistas.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, afirma que a variação desta semana não é um indicativo de queda constante do mercado brasileiro.
Segundo ele, o investidor deve compreender que as perdas dessa semana levaram o Ibovespa ao patamar anterior ao início da especulação eleitoral —após o primeiro turno com liderança de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT), a bolsa disparou e ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos.
"Foi um movimento artificial, apenas devolveu o movimento artificial que tinha sido montado. Não era uma posição. Então, eu não vejo por que o investidor deveria se preocupar agora", diz.
Painel eletrônico na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) exibe a movimentação do mercado financeiro após a eleição - Rafaela Araújo - 26.out.26/Folhapress
As decisões sobre mudanças na carteira de investimento devem ser mais intensas após a reunião do Copom da próxima quarta-feira (4). Nesta semana, as estimativas de juros futuros cresceram mais de 250 pontos-base, e o mercado prevê contenção no movimento decrescente da Selic.
Caso a tendência de juros altos se confirme, portfólios com empresas de maior alavancagem financeira tendem a perder valor. Setores cíclicos domésticos, como varejo e construção civil, exigem cautela devido à sensibilidade a juros altos e crédito, dizem os especialistas.
Praça afirma que o setor bancário, que também teve queda essa semana, deve se recuperar mesmo com juros altos.
Para Gustavo Bertotti, analista da Fami Capital, o movimento mais provável dos investidores é privilegiar empresas com maior previsibilidade e mais presença exterior e parte da receita em dólar. Além dos bancos, grandes exportadoras como Suzano, Embraer, Weg e Vale têm resultados mais constantes. O analista também citou seguradoras e empresas de telefonia, menos sujeitas a ciclos econômicos.
Bertotti diz que é momento de o investidor analisar os próprios ativos e o próprio perfil de investidor. "O driver mais importante para o investidor que quer operar renda variável é analisar a temporada de resultados corporativos", diz. Após a avaliação dos balanços, será possível decidir o que manter, o que vender e o que comprar.
Reagir com cautela ao movimento negativo desta semana pode, segundo o estrategista da Empiricus Matheus Spiess, significar ter ganhos no futuro. Segundo ele, a média de retorno nos meses seguintes a quedas bruscas costuma ser positiva para o investidor. Além disso, Spiess afirma ver boas perspectivas de investimento estrangeiro em ativos brasileiros.
Infraestrutura energética, saneamento básico, concessões rodoviárias e ferroviárias estão na lista de bons prognósticos do analista, que diz ter conversado com investidores de fora e visto interesse no país.
"Tem coisa boa no Brasil, a gente só precisa fazer uma seletividade maior evitar nomes mais sensíveis a juros e ciclos", afirma o Spiess.
