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Aliados de ACM Neto omitem presidenciável de campanha de olho no voto casado com Lula

Aliados de ACM Neto omitem presidenciável de campanha de olho no voto casado com Lula

Por Política Livre

01/10/2026 às 11:44

Foto: Divulgação

Imagem de Aliados de ACM Neto omitem presidenciável de campanha de olho no voto casado com Lula

ACM Neto e Lula

A três dias das eleições, materiais de campanha compartilhados pela internet por aliados de ACM Neto (União) têm chamado atenção por uma ausência: a da Presidência da República. Santinhos digitais distribuídos por deputados federais e estaduais, vereadores, prefeitos e outras lideranças ligadas ao ex-prefeito de Salvador apresentam suas candidaturas e o número 44 para o governo, mas, em diversos casos, deixam em branco o espaço destinado ao voto presidencial.

A postura não é nova. Desde o início da campanha, aliados de ACM Neto vêm dando pouco destaque à eleição presidencial. Além disso, embora o postulante do União Brasil tenha declarado apoio a Ronaldo Caiado (PSD), que não veio à Bahia no primeiro turno, o presidenciável não aparece na propaganda eleitoral do União Brasil. 

A ausência ganha ainda mais peso nesta reta final. ACM Neto declarou publicamente apoio a Caiado justificando a escolha pela relação política e pessoal construída entre os dois. Ao mesmo tempo, desde a convenção que oficializou sua candidatura, defende que os partidos integrantes de sua coligação tenham liberdade para seguir seus próprios candidatos à Presidência.

O espaço em branco nos santinhos ocorre justamente em meio à disputa em torno do chamado voto “Lula-Neto” — eleitores que pretendem votar no presidente Lula (PT) para o Planalto e em ACM Neto para o governo. A combinação já se tornou um dos temas centrais da campanha baiana. 

ACM Neto nega que sua campanha incentive deliberadamente o voto casado com Lula. Em agosto, afirmou que não estimulava essa combinação e que respeitava a liberdade de escolha do eleitor. Em setembro, voltou ao tema ao dizer que “ninguém é dono do voto de ninguém”.

Do outro lado, a campanha à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) se esforça para associar a candidatura estadual à de Lula. O gestor tem criticado publicamente o voto dividido entre Lula e Neto, enquanto o presidente também entrou diretamente nessa disputa durante sua passagem por Salvador nesta semana. No comício realizado na segunda-feira (29), o petista rejeitou a combinação eleitoral com o adversário de Jerônimo e pediu apoio à chapa do partido.

A diferença entre os dois palanques fica evidente na reta final. Enquanto Jerônimo busca nacionalizar a disputa e explora ostensivamente a presença de Lula em seus materiais e atos, o grupo de ACM Neto mantém uma composição heterogênea no plano presidencial. 

Vale lembrar que a coligação do postulante do União Brasil reúne partidos e lideranças que fizeram escolhas diferentes para o Planalto. O único grupo que pede abertamente votos para presidente é o dos bolsonaristas do PL, além de alguns poucos prefeitos e parlamentares de forma isolada. 

E mais: nas duas vezes em que esteve na Bahia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a Presidência da República com o aval os bolsonaristas, não contou com a presença de ACM Neto. Já o ex-ministro João Roma (PL), candidato ao Senado na chapa, acompanhou o aliado.

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