Malafaia acusa Fachin de atuar contra Mendonça no STF
Pastor afirma que ministro age sem imparcialidade no Supremo
Por Mônica Bergamo/Folhapress
14/09/2026 às 21:15
Atualizado em 14/09/2026 às 22:22
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados/Arquivo
O pastor Silas Malafaia
O pastor Silas Malafaia criticou o ministro Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), em vídeo que foi distribuído em suas redes. Ele questionou a imparcialidade do magistrado e o acusou de atuar em conjunto com outros integrantes da corte para beneficiar o governo Lula e atingir o ministro André Mendonça.
"Vocês acham que Fachin é isento?", questiona Malafaia no vídeo. "Se Fachin fosse isento, mandava Flávio Dino parar com essas cortinas de fumaça para desviar o foco, tentar atingir o André Mendonça."
Malafaia é uma das principais lideranças evangélicas alinhadas à direita brasileira e mantém uma relação próxima com o bolsonarismo. Nas eleições de 2022, apoiou Jair Bolsonaro e, neste ano, declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Dino autorizou nesta segunda uma operação da Polícia Federal contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado de Mendonça.
Na semana passada, Dino também havia suspendido uma decisão de Mendonça que determinava o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da PF.
Fachin interveio no caso e suspendeu tanto o afastamento determinado por Mendonça quanto a reintegração de Rodrigues determinada por Dino. Com isso, o diretor-geral permaneceu no cargo até que o STF decida sobre o conflito entre as duas determinações.
Malafaia, porém, interpreta a intervenção do presidente do STF como parte de uma articulação contra Mendonça. "O que que Fachin tem que fazer? Cancelar a decisão de Flávio Dino e manter a decisão de André Mendonça, que é o relator do caso", afirma. "O que que ele faz? Ele anula também a decisão de Mendonça".
O pastor ainda critica Fachin pela decisão de assumir processos relacionados ao Banco Master e ao INSS. A mudança ocorreu em 12 de setembro, depois que Fachin havia determinado a suspensão temporária de procedimentos de investigação envolvendo ministros do Supremo.
"Fachin determinou que André Mendonça suspenda a investigação do INSS, onde o filho de Lula tá enrolado na lama e chega lá pertinho do gabinete de Lula", diz Malafaia.
O pastor questiona por que Fachin não teria adotado a mesma postura em relação a Dino. "Por que Fachin não manda Flávio Dino suspender o que tá fazendo e deixa Flávio Dino continuar operando?", afirma.
Malafaia também acusa Fachin, Moraes, Dino, Lula e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, de integrarem uma suposta articulação para proteger Moraes. "Estão todos juntos nessa confraria para tentar livrar a cara da lama em que Alexandre de Moraes está metido", afirma.
O pastor retoma a atuação de Fachin nos processos que levaram à anulação das condenações de Lula na Lava Jato. Ele diz que o ministro "só tá no STF porque era cabo eleitoral de Dilma" e afirma que Fachin "na caneta, numa das maiores vergonhas, descondena Lula".
Malafaia diz ainda que é alvo de dois inquéritos sob relatoria de Moraes e que sabe que pode sofrer retaliações por suas críticas. "Eu sei da maldade que podem fazer contra mim, mas eu creio na Bíblia e creio em Deus", afirma.
Ao final, o pastor diz esperar que a sessão do STF marcada para esta terça-feira (15) confirme, segundo sua interpretação, as articulações que denuncia. "Vamos ver o teatro que vão tentar fazer amanhã", afirma.
