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Flávio fala de crise no STF em propaganda eleitoral com vídeo em formato de 'pronunciamento'

Flávio fala de crise no STF em propaganda eleitoral com vídeo em formato de 'pronunciamento'

Senador e candidato à Presidência é formalmente investigado pela Polícia Federal por sua atuação no caso 'Dark Horse'

Por Luana Lisboa/Folhapress

15/09/2026 às 19:16

Atualizado em 15/09/2026 às 22:37

Foto: Reprodução/YouTube

Imagem de Flávio fala de crise no STF em propaganda eleitoral com vídeo em formato de 'pronunciamento'

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)

Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) usou a propaganda eleitoral exibida nesta terça-feira (15) para tratar da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. O vídeo vai ao ar no mesmo dia em que a corte debateu o futuro do ministro em sessão inédita.

Gravado no formato que remete a um pronunciamento oficial da Presidência da República, o vídeo mostra Flávio dizendo interromper a campanha diante da "gravidade do momento político" do país. Ele afirma que o governo criou um desequilíbrio institucional ao dividir poder com uma parte do STF, que teria descumprido a lei.

A sessão desta terça discutiu relatório da Polícia Federal sobre diálogos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento foi pedido pelo ministro André Mendonça e pode levar à abertura de uma investigação sobre a conduta de Moraes, o que nunca ocorreu no STF.

O próprio Flávio também é alvo de investigação ligada a Vorcaro. Documentos da PF e da PGR (Procuradoria-Geral da República) apontam o senador como interlocutor direto do ex-banqueiro na negociação de recursos para o filme "Dark Horse", sobre a vida de seu pai, Jair Bolsonaro. Segundo a PF, Eduardo Bolsonaro atuaria como gestor do dinheiro levantado para a produção.

No vídeo desta terça, Flávio cita diretamente "o escândalo do Alexandre de Moraes" e diz que o resultado da divisão de poder entre governo e STF foi um Brasil "sem presidente, sem comando".

Ele afirma, porém, que a insegurança e o endividamento das famílias são problemas mais graves. Em seguida, apresenta três promessas. A primeira é classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. A segunda é reduzir juros e dívida pública. A terceira é não concorrer à reeleição, compromisso que ele associa a um projeto de lei que diz já ter apresentado sobre o tema.

Flávio também diz antecipar que sofrerá acusações na reta final da campanha e diz que a população foi "iludida por uma picanha que nunca chegou" sob o governo atual. O vídeo termina com apelo religioso, encerrado pela frase "Deus nos abençoe, o Brasil vai vencer".

No STF, a sessão desta terça terminou sem definição diante de pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Durante a sessão, Moraes chamou o relatório policial de "farsa" e disse haver "motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras" por trás do documento. Ele afirmou ainda que o material não foi produzido integralmente pela PF, mas com auxílio de um órgão externo, "provavelmente estrangeiro", numa "clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026".

Moraes foi relator dos processos dos atos de 8 de janeiro de 2023 e votou pela condenação de réus envolvidos nos ataques, incluindo o próprio Bolsonaro.

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