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Diretor da PF diz que Moraes usou inquérito das fake news para produzir relatório contra Mendonça
Diretor da PF diz que Moraes usou inquérito das fake news para produzir relatório contra Mendonça
Andrei Rodrigues foi restituído ao cargo por decisão do ministro Flávio Dino
Por Renan Porto/Ricardo Corrêa/Estadão
11/09/2026 às 17:15
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, negou que os relatórios de inteligência produzidos pela instituição sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça representem “monitoramento ilícito”. Segundo o delegado, os documentos não podem ser confundidos com investigação criminal e têm caráter informativo.
Os relatórios de inteligência, sem valor probatório, foram usados pelo ministro Alexandre de Moraes, na semana passada, para pedir a instauração de um procedimento contra Mendonça por abuso de autoridade e interferências indevidas em investigações. Na última terça-feira, 8, Mendonça citou os mesmos documentos para determinar o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou que ele fosse restituído ao comando da PF.
Atendendo a pedido do presidente do STF, Edson Fachin, Andrei protocolou uma manifestação nesta sexta-feira, 11, dando esclarecimentos sobre o ocorrido.
“A atividade de inteligência não pode ser confundida com a investigação criminal em si, em que se busca a obtenção de elementos inerentes ao processo penal, como autoria e materialidade, e nem com qualquer tipo de monitoramento pessoal. O relatório de inteligência, portanto, não acusa, não imputa e não é capaz de restringir direitos, porquanto o seu pressuposto é tão somente informar a autoridade”, afirmou o diretor da PF.
“Não merece prosperar qualquer afirmação no sentido de que a mera existência de juízos analíticos, elaboração de hipóteses ou avaliações vindas de inferências constituiria irregularidade”, acrescentou.
O delegado ainda disse que os relatórios não podem ser classificados como apócrifos, porque têm “autoria institucional”. Segundo ele, a ausência do nome do servidor responsável é uma medida de “proteção dos profissionais de inteligência”.
Andrei afirmou que a produção dos documentos foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news. Na última quarta-feira, 9, Edson Fachin retirou a investigação de Moraes.
