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Avante tenta sustentar alta de Cury para ampliar bancada e avalia mais financiamento
Avante tenta sustentar alta de Cury para ampliar bancada e avalia mais financiamento
Por Augusto Tenório/Folhapress
09/09/2026 às 06:43
Foto: Reprodução/Arquivo/Instagram
Augusto Cury
O Avante passou a apostar na onda de crescimento de Augusto Cury na corrida presidencial para ajudar o partido a eleger mais deputados federais, principal fator de cálculo para o rateio de fundo partidário e eleitoral. Agora, a legenda avalia como ajudar a manter o bom momento do candidato até a eleição.
O partido estuda novos repasses de fundo eleitoral para Cury, mas esbarra na falta de recursos e na resistência do próprio escritor em acessar a verba pública. O Avante conta com R$ 72,5 milhões para financiar campanhas pelo Brasil, e até agora enviou apenas R$ 50 mil para seu candidato à Presidência.
Segundo dirigentes, o partido avalia que é necessário colaborar com Cury, mas ainda não chegou a valores. O diretório nacional da legenda definiu, como único critério da distribuição da verba, a priorização da eleição de deputados. Além disso, a legenda deve enviar recursos para a eleição de David Almeida ao governo do Amazonas.
Enquanto isso, Cury, dono de um patrimônio declarado em R$ 242,2 milhões, tem dito que pretende financiar a própria campanha. Ele é o candidato à Presidência mais rico, de acordo com os dados informados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Pela lei eleitoral, Cury pode investir até R$ 8,8 milhões na própria campanha, o equivalente a 10% do teto de gastos da candidatura à Presidência no primeiro turno. Dessa forma, o partido agora consulta como ajudá-lo financeiramente, para manter sua dianteira como terceira via.
Dirigentes do Avante ouvidos pela Folha indicam que o partido não estava preparado para o crescimento repentino de Cury. Eles relatam aumento na procura de adesivos e materiais de campanha com o nome do candidato, mas assumem que os diretórios estaduais não estavam abastecidos.
Isso acontece por dois motivos. Primeiro, porque não havia perspectiva de crescimento repentino de Cury. Segundo, porque o próprio candidato, segundo interlocutores, não demonstra interesse por uma campanha tradicional. O escritor defende concentrar esforços no ambiente digital.
Dessa forma, alguns deputados do Avante pretendem usar a própria cota para confecção de material de campanha casado com Cury. Líder do partido na Câmara, o deputado Waldemar Oliveira (PE) afirmou que o escritor "chegou à política local, aos grotões do Brasil".
"Acho que vamos ganhar voto de legenda. Planejamos eleger 15 deputados federais, com esse crescimento, podemos eleger 20. Chegar a um segundo turno é difícil, mas não é impossível", completou Oliveira à Folha.
Internamente, o crescimento de Cury também ajuda parlamentares do Avante que possuem votos municipalistas, ou seja, ligados a prefeituras aliadas. Eles avaliam que o apoio ao escritor evita eventual perda de eleitores lulistas ou bolsonaristas em estados com preferência mais clara para um dos favoritos.
Antes tratado como azarão, Cury se consolidou como terceira força na disputa pelo Planalto ao aparecer com 11% de intenção de voto na pesquisa BTG/Nexus do último dia 31. O escritor e psiquiatra avançou 9 pontos percentuais em relação ao último levantamento, quando aparecia com 2%.
O crescimento entusiasmou o Avante, que agora avalia um novo patamar para o partido. Mesmo que a chance de chegada a um segundo turno seja vista como remota, dirigentes dizem que a legenda também encarece o passe para eventual apoio a um dos candidatos que permanecerão na disputa.
Cury cresceu nas pesquisas junto a uma explosão nas redes sociais. Ele ganhou quase 2,5 milhões de seguidores, tendo investido R$ 50 mil em impulsionamento, segundo a parcial da declaração de contas da candidatura.
Nesse período, sua campanha inundou as redes com uma série de vídeos roteirizados publicados por influenciadores que anunciaram voto em Cury, assim como comentários em massa divulgando seu número de urna.
