Angelo Calmon de Sá doa para ACM Neto e três deputados estaduais na Bahia
Por Política Livre
11/09/2026 às 17:08
Foto: Política Livre/Arquivo
Candidato ao Governo do Estado, ACM Neto
Cinco candidatos nas eleições deste ano, incluindo quatro baianos, receberam doações para a campanha do banqueiro do extinto Banco Econômico Angelo Calmon de Sá, hoje com 91 anos de idade. Entres os contemplados com recursos está o postulante do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, agraciado com R$400 mil, o maior montante privado até aqui.
Na eleição de 2022, ACM Neto também foi contemplado com recursos de Calmon de Sá para a camanha de governador, no valor de R$150 mil. Desta vez, diante da maior possibilidade de vitória, o empresário aumentou a aposta.
O dono do extinto Banco Econômico fez mais quatro doações, sendo a segunda maior para o deputado federal Pedro Lupion, do Republicanos do Paraná, que recebeu R$200 mil. Os demais agraciados foram baianos.
Os deputados estaduais Eduardo Salles (PV) e Tiago Correia (PSDB), que concorrem à reeleição, receberam R$50 mil cada. Já o deputado estadual Manuel Rocha (União), que disputa uma cadeira na Câmara Federal, ficou com R$30 mil.
Além de proprietário de banco, o engenheiro civil Angelo Calmon de Sá, condenado por fraude no sistema financeiro, também foi ministro da Indústria e Comércio do governo Ernesto Geisel e ocupou a chefia do Ministério do Desenvolvimento Regional na gestão Fernando Collor.
Apesar da influência de Calmon de Sá na esfera pública, o Banco Central (BC) interveio na instituição em agosto de 1995, e o então banqueiro teve seus bens e contas bloqueados. Foi nessa época que o BC descobriu o escândalo da "pasta rosa". Segundo registros, o Econômico doou US$ 2,4 milhões para candidaturas das eleições de 1990. A legislação eleitoral proibia doações de empresas jurídicas. A Polícia Federal considerou a fraude como crime tributário.
Calmon de Sá foi condenado a 13,4 anos de prisão em regime fechado pela Justiça Federal no dia 3 de outubro de 2007, mais de 12 anos após a intervenção do BC. O juiz responsável pela sentença considerou o banqueiro como o principal estrategista das irregularidades.
Não há registros de cumprimento da pena. A defesa impetrou recursos e pedidos de habeas corpus ao longo dos anos, alegando prescrição de penas e idade avançada. Os espólios do Econômico foram comprados pelo BTG Pactual em 2022, e instituição ganhou o nome de BESA.
