Votação na Europa define novo desenho para as notas de euro
População é convidada a escolher design de cédulas com figuras históricas ou passarinhos
Por José Henrique Mariante/Folhapress
02/08/2026 às 16:15
Foto: Reprodução/Banco Central Europeu
Propostas finalistas de novas notas de euros
Talvez soe familiar a olhos brasileiros notas com figuras históricas ou passarinhos. Pois será com um ou com outro que o jovem euro se vestirá até o fim deste ano, na primeira mudança de design do papel-moeda da União Europeia.
Moeda estável e prestes a ganhar uma versão digital, o euro completará 25 anos de circulação física em 2027. Nesse meio tempo, a única mudança nas cédulas foi um facelift em 2013.
Enquete promovida pelo Banco Central Europeu (BCE) está no ar desde a semana passada, pedindo que a população expresse suas preferências entre dez desenhos finalistas. As opções apresentadas materializam o resultado de uma ampla pesquisa de opinião conduzida nos 21 dos 27 países do bloco que adotam a moeda comum.
Entre mais de 1.200 sugestões, a consulta popular fez prevalecer motivos tradicionais para o gênero: de um lado personalidades que refletem a cultura europeia e a busca pelo conhecimento; do outro, a preocupação ambiental, refletida na biodiversidade do continente.
Em diferentes formatos estão lá a soprano Maria Callas (€ 5), o compositor Ludwig van Beethoven (€ 10), a cientista Marie Curie (€ 20), o escritor Miguel de Cervantes (€ 50), o quase tudo Leonardo da Vinci (€ 100) e Bertha von Suttner (€ 200), a primeira mulher a receber o Nobel da Paz.
Os versos das notas trazem referências às áreas de cada personagem histórico, enquanto na família de passarinhos a composição é feita com prédios que simbolizam as instituições europeias, uma mistura peculiar, que, para muitos, soa como falta de ideia.
Das dez famílias finalistas, três apresentam desenhos verticais, "o novo formato de tudo", segundo análise publicada pelo Frankfurter Allgemeine Zeitung. O jornal econômico alemão lembra dos cartões de crédito que já adotam tal visual e especula se a tendência não é uma imposição da geometria limitada dos smartphones.
Para o também alemão Die Zeit, a enquete do ECB é mais um exemplo de pesquisa manipulada, em que a oferta de opções já determina o resultado. Escolher de verdade seria discutir se Mozart não deveria vir antes de Beethoven, argumenta o crítico do semanário.
Já a revista Economist escolheu sua família preferida entre as inúmeras postagens que o assunto provoca nas redes sociais: os premiês britânicos desde o brexit.
