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União Brasil abandona palanque do PL no Rio e dificulta cenário de Flávio Bolsonaro no Sudeste
União Brasil abandona palanque do PL no Rio e dificulta cenário de Flávio Bolsonaro no Sudeste
Douglas Ruas, candidato do partido ao governo, enfrenta dificuldades e corre risco de ficar de fora do 2º turno
Por Augusto Tenório/Folhapress
03/08/2026 às 22:05
Foto: Carlos Moura/Agência Senado/Arquivo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
O União Brasil deixará a coligação com o PL no Rio de Janeiro e ficará neutro na eleição estadual, informam dirigentes do partido ao jornal Folha de São Paulo. A decisão complica o cenário para Flávio Bolsonaro no Sudeste, que nesta segunda-feira (3) perdeu também a candidatura do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo de Minas Gerais.
A saída do palanque do PL foi cravada pela desistência do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) de concorrer ao Senado. O parlamentar foi alvo de uma operação contra lavagem de dinheiro em postos de gasolina e preso em flagrante após agentes acharem um fuzil no seu carro. Ele tentará a reeleição para Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).
Agora, a federação União Progressista, formada pelo União Brasil com o PP, deixará o palanque de Douglas Ruas, deputado estadual que concorrerá ao Governo do Rio de Janeiro pelo PL. Pesquisa Quaest divulgada no dia 27 de julho mostra o parlamentar empatado em 2º lugar com Anthony Garotinho (Republicanos), ambos com 10%.
Sem um palanque amplo, a expectativa é que Douglas Ruas enfrente mais dificuldades para chegar ao 2º turno. Esse cenário é considerado ruim para Flávio Bolsonaro, que perderia o palanque no estado em que construiu carreira política. O Rio também é o terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, com 12,8 milhões de eleitores aptos a votar, 8,10% do total do país.
Há uma reclamação geral no centrão sobre a postura de Flávio Bolsonaro, o que distanciou o candidato à Presidência de partidos que, anteriormente, demonstravam interesse em apoiá-lo. Dois deles são, justamente, União Brasil e PP.
Entre as reclamações dessas siglas, há a de que Flávio Bolsonaro não defendeu aliados em momentos de fragilidade. Foi assim com o presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) por suposto recebimento de pagamento do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Quando Canella foi alvo da operação da PF, Flávio Bolsonaro determinou a saída da sua mãe, Rogéria Bolsonaro (PL), da suplência de Canella. Antes, o senador chamou o deputado estadual de "amigo" e disse que o apoiava "100%".
No Rio de Janeiro, este é o segundo baque na chapa do PL. Primeiro, o ex-governador Claudio Castro desistiu de concorrer a uma vaga para o Senado em maio, após ser alvo de duas operações da Polícia Federal num intervalo de 11 dias.
A perda do União Brasil pode prejudicar Flávio na Baixada Fluminense, onde o partido tem mais força. Canella foi prefeito de Belford Roxo e agora vai focar em ajudar sua legenda a eleger o maior número possível de deputados federais.
Nesta segunda, Flávio Bolsonaro também perdeu um palanque forte em Minas Gerais. O senador Cleitinho anunciou que não concorreria mais ao governo do estado. Ele era o favorito nas pesquisas e já havia declarado apoio ao candidato do PL, abrigando também lideranças da sigla na sua chapa.
Agora, o PL avalia outros caminhos no estado. Um deles é apoiar o ex-deputado federal e ex-secretário da Casa Civil de Minas Marcelo Aro (PP). Eles vão conversar até quarta (5), prazo final das convenções, para chegar a um acordo.
