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'Tem petróleo, mas não sabemos quanto', diz presidente da Petrobras sobre descoberta na Foz do Amazonas

'Tem petróleo, mas não sabemos quanto', diz presidente da Petrobras sobre descoberta na Foz do Amazonas

Por Douglas Gavras, Folhapress

17/08/2026 às 17:45

Atualizado em 17/08/2026 às 18:13

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo

Imagem de 'Tem petróleo, mas não sabemos quanto', diz presidente da Petrobras sobre descoberta na Foz do Amazonas

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente Lula

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.

"Tem petróleo e descoberta, a gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui", disse a executiva, em um evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar de confirmar a presença de petróleo na região, Chambriard explicou que a exploração do poço deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias.

Na semana passada, a empresa havia identificado a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá, a partir de perfis elétricos e indicativos nas rochas.

O processo de licenciamento do poço Morpho foi marcado por controvérsias, incluindo recomendação da área técnica do Ibama pelo arquivamento do processo.

A licença foi concedida em outubro de 2025, sob pressão do presidente Lula, às vésperas da COP30 em Belém, o que gerou críticas de organizações ambientalistas presentes ao evento, que apontam contradição com alertas científicos sobre redução do uso de combustíveis fósseis.

"Quando durante a COP demos autorização para que a Petrobras pudesse fazer a pesquisa, prometi que iria trazer a Janja ao Amapá para que ela conhecesse o que é uma sonda."

"Era preciso que eu viesse aqui para provar algumas coisas. Primeiro, não é possível imaginar que uma empresa de petróleo possa sobreviver sem pesquisar e isso significa fazer investimento sem ter a certeza de um resultado. Foi comprovado que deu certo e vão fazer novas pesquisas, com novas tecnologias e materiais", disse o presidente.

Lula também relembrou a história da Petrobras e sobre críticas no passado de que o Brasil não tinha petróleo para explorar. "Muita gente do Brasil tem complexo de vira-lata. Eu gosto muito de vira-latas, mas eu falo das pessoas que não se respeitam, que não gostam de fazer esforço." O presidente também criticou governos anteriores por desinvestimentos na Petrobras

Isto aqui é o passaporte para o futuro do país", disse o presidente, segurando um frasco com amostra de óleo. "Não estou negando a minha luta para que a gente não precise usar combustível fóssil."

"Vamos continuar cuidando do meio ambiente, 87% desse estado é reserva e 97% deste território está com reservas praticamente intocáveis. Eu sujei a mão com o pré-sal e agora com este, este parecia que já estava refinado", disse Lula.

Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, disse que trata-se de uma descoberta histórica.

"O Brasil dá um passo importantíssimo para garantir a sua soberania energética. Nenhum brasileiro pode abrir mão de sua soberania e de suas riquezas naturais para combater miséria e garantir desenvolvimento", disse.

"O mundo inteiro sempre se conflagrou em disputas, eo Brasil demonstra com mais essa conquista que é um país que tem tudo para ser o país do desenvolvimento, da soberania e da inclusão."

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil -AP) disse que estava presente "na condição de presidente do Senado e de amapaense, que sonhou que esse dia era possível".

"É preciso que a gente reconheça aqueles que enfrentaram causas que muitas vezes foram contestas e criticadas, não só por brasileiros que não compreendem a importância de termos soberania energética no nosso país, como aqueles de outros países que insistem em tutelar."

A descoberta, que ainda não é comercial, pode ser um avanço na busca por reposição de reservas à medida que o pré-sal se aproxima do pico de produção, previsto para 2034-2035.

O poço está a cerca de 175 km da costa do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros, no bloco FZA-M-59, onde a Petrobras é operadora com 100% de participação. O bloco foi adquirido pela estatal na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob regime de concessão.

A região é vista pela Petrobras, pelo governo e por petroleiras privadas como principal fronteira para novas descobertas no país, ajudando a compensar o declínio futuro do pré-sal.

O IBP, que representa companhias como Petrobras, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e Equinor, avaliou que a descoberta reforça as perspectivas do Brasil para produção de petróleo e gás e a segurança energética nacional.

O interesse na área também foi impulsionado por descobertas na Guiana, região com características geológicas similares.

O governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil), agradeceu a Lula. "Enquanto muitos estão cultivando um país bipolarizado, nós, de diferentes matizes políticos, damos exemplo de uma união que constrói e que supera diferenças."

"Fui questionado por uma licença ambiental dez dias antes da COP, mas disse que o presidente Lula estava certo, que seríamos acusados de uma fraude se a licença fosse concedida depois."

O governo defende a exploração como forma de aproveitar as riquezas do subsolo brasileiro; na própria COP, Lula propôs, sem êxito, medidas para reduzir o consumo de fósseis.

A Petrobras já solicitou ao Ibama autorização para perfurar mais três poços na mesma área (PAD-Morpho, Manga e Crotalus), pedido que segue em análise, com o órgão solicitando mais dados, sem opor-se até o momento à extensão da exploração. A perfuração desses poços adicionais dependerá dos resultados obtidos no Morpho.

A estatal registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no trimestre mais recente, alta de 97% ante igual período do ano anterior, o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2022,.

O resultado foi impulsionado pela alta do petróleo (Brent médio de US$ 104, alta de 54,1%) após a guerra no Irã e por recorde de produção (3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 14%).

A empresa anunciou distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos, dos quais R$ 6,2 bilhões cabem ao governo federal, acionista majoritário.

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